RECONHECIMENTO DA BRANQUITUDE E PEDAGOGIA ENGAJADA: POSSIBILIDADES E NECESSIDADES PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA

Autores

  • Edwiges Pereira Campos
  • Sabrina Duarte Rodrigues
  • Edson Romario Monteiro Paniagua

Palavras-chave:

Educação, Pedagogia, Engajada, Branquitude, Antirracismo

Resumo

Este trabalho foca nas relações entre educação antirracista, a implementação da Lei 11.639/2008 e o papel das professoras e professores brancos na construção da sociedade brasileira a partir de uma pedagogia engajada. Temos como objetivo geral: compreender a relação entre antirracismo, educação e branquitude. Objetivos específicos: estabelecer as relações dos currículos escolares e os espaços educacionais como lugares do discurso colonial ainda presente; refletir sobre o papel dos sujeitos brancos dentro desse cenário. Para alcançar esses objetivos utilizamos uma metodologia qualitativa de viés bibliográfico e documental, a partir da implementação da Lei. 10.639/2003. A Lei 11.645/2008 alterou a Lei 10.639/03 trazendo uma perspectiva epistemológica para a desconstrução do imaginário criado acerca da obrigatoriedade do ensino da História e Cultura da África, Afro-brasileira e Indígena, nos currículos escolares. Esse reconhecimento das multiplicidades de culturas no território brasileiro é o resultado dos movimentos negros, intelectuais e educadores engajados na construção de uma educação na direção da descolonização possível. Nesse processo de luta e reconhecimento que a colonialidade está presente em nossas práticas e vivências diárias, reverberando nos espaços escolares com intensidade e a branquitude, sempre presente, começa a se tornar visível. A questão da branquitude emerge na década de 1950. Guerreiro Ramos em 1957 apresenta o trabalho A Patologia social do branco Brasileirol", sustentado nas produções de outros intelectuais e ativistas como Frantz Fanon (1950). Já a partir da primeira década do séc. XXI pesquisadores como Edith Piza (2005) e Lourenço Cardoso (2010) retomam o debate de forma substancial. A branquitude se apresenta como uma prática de reconhecimento da identidade do ser branco, sua racialização e o reconhecimento dos privilégios, que se dão com base nas características fenotípicas dos sujeitos. Edith Piza sugere que a branquitude seja entendida como o processo de conscientização e negação do privilégio branco, reconhecendo a vantagem estrutural. Na esteira desse debate, os espaços escolares e o currículo reforçam os sujeitos não brancos em posições de inferioridade. O silenciamento dos gestores e professores muitas vezes reafirmam estereótipos que se constituem num currículo oculto e permanente. A autora bell hooks (2017) pode nos ajudar a refletir sobre o papel dos brancos nesse cenário, na busca de uma pedagogia engajada, pois esses colhem os frutos das dinâmicas que foram estabelecidas ao longo dos séculos, deixando à margem a maioria da população composta por negros e indígenas. Diante do exposto podemos encaminhar algumas considerações finais. O cumprimento da Lei 11.645 deve se estender para a ação reflexiva e práticas que busquem a desconstrução do ser humano tido como ideal, o sujeito branco, abrindo espaço para (re)construção da negritude. Os discursos antirracistas, que passaram a se fazer mais presentes e frequentes nos ambientes educacionais, são embrionários, carecendo de reflexões e debates permanentes na direção que aponta Edith Piza e consequentemente, a mudanças de práticas. Esse comprometimento de professoras e professores brancos que são a maioria nos espaços escolares que quando passam pelo reconhecimento sobre a sua branquitude, a negação do silêncio colonial e a manutenção dos privilégios. Essas posturas buscam despertar uma branquitude crítica, compreendendo que o lugar de onde se fala e se vive, foi construído em cima da história de muitos. O engajamento por uma prática antirracista e por uma Pedagogia Engajada se torna imperativo por parte das pessoas brancas, principalmente professores e professoras, pois há mais de quinhentos anos, as concepções racistas reforçam as estruturas de dominação, e de privilégios, também presentes na escola. A educação se coloca, assim, como instrumento de mudança e um dos locais para a realização desta última é a escola. Lista de referências: CARDOSO, Lourenço. O branco invisível: um estudo sobre a emergência da branquitude nas pesquisas sobre as relações raciais no Brasil (Período: 1957-2007). (Dissertação de mestrado), Faculdade de Economia e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, 2008. FANON,Frantz. Pele negra máscaras brancas. Trad. Alexandre Pomar, Porto: Edição A. Ferreira, s/d[1952]. hooks, bell. Ensinando a transgredir: a educação com prática da liberdade/ bell hooks ; tradução de Marcelo Brandão Cipolla. - 2. ed. - São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017. PIZA, Edith. Porta de vidro: entrada para branquitude. In: CARONE, Iray e BENTO, Maria Aparecida da Silva (org.). Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2002. RAMOS, Guerreiro. Patologia social do branco brasileiro, 1995[1957]b. In: RAMOS, Alberto Guerreiro, 1995[1957] a, p. 215-240

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

RECONHECIMENTO DA BRANQUITUDE E PEDAGOGIA ENGAJADA: POSSIBILIDADES E NECESSIDADES PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110214. Acesso em: 15 abr. 2026.