PRÁTICAS DE SAÚDE COLETIVA NA FORMAÇÃO MÉDICA
Palavras-chave:
Saúde, Coletiva, Estratégia, Família, Formação, médicaResumo
A metodologia de formação em Medicina na UNIPAMPA associa o ensino teórico ao prático, visando a formação de profissionais que estejam aptos a atuar nos mais diversos serviços e cenários do Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos eixos de formação no qual os alunos são inseridos na prática é o componente curricular de Saúde Coletiva II, nesse são integradas as noções sobre o Sistema Único de Saúde aprendidas nas aulas à vivências nas Estratégias de Saúde da Família (ESF). Essa associação tem por objetivo que o acadêmico, desde o início do curso, tenha contato com os serviços públicos de saúde, com as equipes multidisciplinares, com o usuário e a comunidade, para que, a partir disso, possa compreender de forma mais categórica o processo de cuidado em sua dimensão biopsicossocial. Nesse sentido, este trabalho visa apresentar a primeira experiência dos discentes com a porta de entrada do Sistema Único de Saúde - a ESF. A vivência ocorreu em setembro de 2021 e foi realizada por um grupo de cinco estudantes acompanhados por uma supervisora docente, o campo de estágio foi a ESF-19, localizada em Uruguaiana/ RS, a qual abrange 4000 habitantes e possui uma equipe multidisciplinar que conta com dois Agentes Comunitárias de Saúde, três técnicas de enfermagem, uma enfermeira, uma médica, duas recepcionistas, uma nutricionista, uma higienista, um dentista, três residentes de saúde coletiva (um educador físico, um fisioterapeuta, um médico veterinário) e um interno de medicina. O estágio totalizou dezesseis 16 horas e, seu principal propósito foi interligar conhecimentos práticos e teóricos relacionados a territorialização, visita domiciliar, trabalho dos agentes comunitários de saúde e os princípios e diretrizes do SUS. Com tal objetivo, os estudantes participaram das diferentes atividades do serviço como o acolhimento, a sala de vacina, atendimentos com enfermeira, médica, nutricionista, fisioterapeuta, médico veterinário e educador físico, além de visitas a comunidade com as Agentes Comunitárias de Saúde para cadastramento da população e, também, uma visita domiciliar para realização da abordagem familiar com a utilização dos instrumentos genograma e ecomapa. Durante o estágio, foi possível participar de diferentes estratégias de cuidado, na qual foram observados os três princípios do SUS, a universalidade foi percebida no acolhimento oferecido pelos profissionais a todos os usuários que buscaram a ESF, independente de gênero, idade, cor ou classe social. A integralidade pôde ser percebida nos atendimentos da enfermeira e da médica, que investigaram tanto aspectos fisiológicos quanto psicológicos e sociais durante as consultas. Por fim, a equidade foi notada com o fato de que cada usuário que buscou a unidade de saúde no período em que efetuamos as práticas teve sua necessidade específica e individualizada, na medida do possível, atendida. Além disso, outras atividades realizadas, como aferição dos sinais vitais e vacinação, foram muito importantes para a aproximação do acadêmico com a comunidade. O contato com o médico de saúde família também permitiu compreender o papel desse profissional e sua relação com os outros profissionais da equipe contribuindo para resolutividade dos casos. Outrossim, as práticas também auxiliam a formação dos estudantes por possibilitarem o contato com as famílias, o aprendizado no uso do genograma e o ecomapa, os quais auxiliam na compreensão da estrutura familiar e evidenciam o impacto do contexto familiar e social na saúde das pessoas. Nesse sentido, esses instrumentos auxiliam os profissionais a elaborar estratégias de intervenção de acordo com as necessidades e possibilidades das famílias. Dessa maneira, a vivência apresentada abre oportunidades para aprendizados relacionados aos aspectos clínicos e sociais, trabalho em equipe, e compreensão do trabalho da ESF na comunidade. Durante a vivência, os graduandos também puderam observar algumas dificuldades que os profissionais da ESF 19 encontram, a exemplo da falta de dois ACS para proporcionar uma cobertura completa da área de abrangência da equipe, e, dessa forma, facilitar o conhecimento sobre o território e criação do vínculo com a população. Portanto, a atuação dos discentes nos serviços de saúde foi essencial para a articulação e consolidação dos conhecimentos teóricos, além disso, proporcionou reflexões acerca da importância de uma formação inserida no SUS, na comunidade, no trabalho das equipes de saúde da família e da necessidade do controle social do SUS. Conclui-se, então, que a inserção dos discentes na ESF é de suma importância para a formação de profissionais de saúde críticos, reflexivos e implicados com o cuidado biopsicossocial.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
PRÁTICAS DE SAÚDE COLETIVA NA FORMAÇÃO MÉDICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110173. Acesso em: 14 abr. 2026.