ATIVIDADES PRÁTICAS DO COMPONENTE CURRICULAR DE SAÚDE MENTAL II EM TEMPOS DE PANDEMIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA.

Autores

  • Eliane dos Santos Rodriguez
  • Jhuly Dorneles de Mello
  • Raquel Pötter Garcia
  • Bruna Marta Kleinert Halberstadt

Palavras-chave:

Saúde, Mental, Formação, Superior, Pandemia, Serviços, Ensino, Remoto, Emergencial

Resumo

A pandemia da COVID-19, exigiu mudanças na vida e rotina pessoal e profissional da população mundial, como o isolamento social a fim de prevenir a contaminação dos indivíduos. Mudanças significativas foram necessárias na formação superior, como a adesão do Ensino Remoto Emergencial (ERE), o qual trata-se de uma estratégia adotada pelas Instituições de Ensino Superior (IES) que permitiu a continuidade dos conteúdos teóricos, porém impossibilitou a realização das práticas nos serviços de saúde, situação vivenciada no curso de Graduação em Enfermagem, da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). A formação em enfermagem contém diferentes componentes curriculares obrigatórios que possibilitam a formação integral do enfermeiro. Neste trabalho, busca-se relatar a experiência de discentes do curso de graduação em enfermagem da UNIPAMPA, na realização da carga horária prática, do componente de Saúde Mental II, no período da pandemia. Trata-se de um relato de experiência pautado nas atividades realizadas no primeiro semestre de 2021. As aulas teóricas, na modalidade do ensino remoto, ocorreram de forma síncrona e assíncrona durante o primeiro semestre do ano de 2020; já as atividades práticas foram realizadas, posteriormente, de forma presencial, em uma Estratégia Saúde da Família (ESF), por meio de Visitas Domiciliares (VD) para famílias elencadas pela equipe da ESF como prioritárias em saúde mental. O ERE exigiu reformulações na prática, ou seja, foi necessário o desenvolvimento da prática em dias consecutivos, a fim de contemplar a carga horária das atividades de ensino, sendo que cada grupo realizou a prática em quatro dias de forma presencial, um dia de forma remota visando a construção do trabalho avaliativo e dois dias de encontro síncrono para apresentação e discussão juntamente com a equipe de saúde e discentes sobre os Projeto Terapêutico Singular (PTS). Ressalta-se que fora da pandemia as práticas eram executadas de modo contínuo durante o semestre, além da possível articulação entre teoria e prática, fato que favorecia o aprendizado, e maior tempo de planejamento das intervenções de saúde em conjunto com a equipe multiprofissional da ESF. Atualmente este alcance é distinto, pois com a pandemia o aprendizado é prejudicado, pois os grupos terapêuticos e/ou de saúde mental não estão ocorrendo na ESF, situação que impossibilita maior contato com a comunidade, de modo que o cuidado torna-se temporário e dificulta a formação de vínculo com os usuários da rede. Situação que, por vezes, torna-se desafiadora aos discentes na elaboração do PTS, pois os conteúdos teóricos já foram ministrados em período anterior, durante a formação teórica. A experiência possibilitou identificar que a atuação dos discentes, na prática, foi desenvolvida por meio do uso de tecnologias leves de cuidado, sendo o PTS o instrumento de cuidado construído em conjunto com as equipe da ESF, de modo a se buscar um melhor atendimento das demandas de saúde mental dos usuários. Identificou -se, por meio da construção dos PTS, que as mortes de familiares e rede de apoio, em decorrência da pandemia, gerou adoecimento psíquico, como transtornos depressivos com sintomas de ansiedade, luto, pensamentos suicidas, mutilações e o isolamento social gera casos de suicídios na população, bem como aumento dos conflitos interpessoais entre os familiares. Torna-se fundamental a inserção de discentes nos serviços de saúde a fim de contribuir no cuidado integral em saúde mental da população, por meio da utilização de tecnologias leves, neste sentido a VD possibilita a identificação do diagnóstico situacional, como hipóteses diagnósticas de alterações psíquicas, realização do exame psíquico, identificação de doenças pregressas e planejamento de intervenção por meio do PTS, genograma e ecomapa. A inserção dos acadêmicos, no serviço de ESF, contribui na formação ampliada em saúde mental, bem como na articulação entre serviço, ensino e comunidade. Evidenciou-se a importância da articulação entre o conteúdo teórico e o desenvolvimento da prática no mesmo período, pois em tempos de pandemia este processo ocorreu em tempo distante, o que impactou no aprendizado dos discentes.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

ATIVIDADES PRÁTICAS DO COMPONENTE CURRICULAR DE SAÚDE MENTAL II EM TEMPOS DE PANDEMIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110144. Acesso em: 14 abr. 2026.