COMPORTAMENTO SUICIDA: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Palavras-chave:
Saúde, Mental, Enfermagem, Acolhimento, SuicídioResumo
O comportamento suicida de acordo com a Organização Mundial da Saúde envolve a ideação, o planejamento e as tentativas de suicídio. No Brasil, entre os anos de 2011 a 2016, evidenciou-se um aumento da taxa de suicídio de pessoas idosas, especialmente na faixa etária de 70 anos ou mais. Diante desse grave problema de saúde pública, a Atenção Primária à Saúde (APS) deve promover o acolhimento e vínculo, sendo a primeira porta de entrada de assistência à saúde e exercendo um papel primordial para a prevenção e manejo de casos de comportamento suicida. O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de acadêmicos do 5º semestre da graduação de enfermagem acerca do manejo e das estratégias de prevenção realizadas frente a um caso de comportamento suicida na Atenção Básica. Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, realizado durante atividades práticas do Componente Curricular de Saúde Mental II, do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Pampa. As práticas ocorreram no mês de junho de 2021 e tiveram como cenário uma Estratégia de Saúde da Família (ESF) localizada em um município da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. De acordo com a demanda emergente do serviço de saúde elegeu-se um caso como prioridade de intervenção, sendo este, um usuário do sexo masculino, 62 anos, com diagnóstico de transtorno depressivo maior e histórico de recorrentes tentativas de suicídio. Foram realizadas três visitas domiciliares (VDs) com a participação de acadêmicos de enfermagem, a docente do componente e um agente comunitário de saúde da Estratégia de Saúde da Família. Anterior à primeira visita identificou-se que o usuário apresentava resistência para receber a equipe de saúde em seu domicílio, diante desse obstáculo, buscou-se contato com familiares próximos para que auxiliassem na abordagem inicial. A partir da entrevista inicial e da escuta ativa, os acadêmicos puderam evidenciar que o usuário apresentava sintomas típicos de depressão como a perda de interesse em atividades que gostava, além de crises de ansiedade e ideação suicida. A partir desse momento, foi-se construindo um Projeto Terapêutico Singular (PTS) que atendesse às demandas de saúde do paciente. Ressalta-se que o Projeto Terapêutico Singular foi realizado através da perspectiva de co-responsabilização do usuário, da família e, também, da equipe multidisciplinar da Estratégia de Saúde da Família. Posteriormente, pode-se realizar algumas intervenções no decorrer das visitas, como a proposição de atividades que auxiliassem na cognição e no resgate do interesse em práticas que gostava de realizar, além disso, estimulou-se a leitura de revistas de passatempo e livros, escrita de um diário, além de hobbies como musicoterapia e fotografias. Além disso, foi negociado junto ao usuário um checklist contendo orientações em caso de intensificação das crises de ansiedade para que o mesmo tivesse suporte nesses momentos. Sob este prisma, percebeu-se a importância do acolhimento, da escuta ativa e das visitas domiciliares para que o vínculo terapêutico fosse construído e oportunizasse a elaboração do Projeto Terapêutico Singular. Durante essa experiência, a articulação com a rede mostrou-se um dos principais desafios, na ocasião, observou-se dificuldades de comunicação entre os diferentes dispositivos da rede, o que impôs obstáculos no acesso ao atendimento, bem como, à continuidade do cuidado ao usuário. Outro desafio encontrado está relacionado ao déficit no conhecimento dos profissionais da equipe de saúde da Estratégia de Saúde da Família para abordagem aos casos que envolvem o comportamento suicida. Ademais, torna-se relevante discutir sobre a urgência do fortalecimento da articulação junto aos serviços da rede de saúde mental para o manejo e prevenção do comportamento suicida. Frente ao exposto, conclui-se que as equipes de saúde da Atenção Básica possuem papel fundamental na identificação e acompanhamento dos casos relacionados ao comportamento suicida, a fim de garantir a continuidade do cuidado e efetividade ao Projeto Terapêutico Singular. Reforça-se, ainda, a importância da educação permanente para as equipes da Atenção Básica, através de capacitações que contribuam para a identificação precoce e prevenção do comportamento suicida.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
COMPORTAMENTO SUICIDA: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110140. Acesso em: 14 abr. 2026.