ABORDAGEM DA ÚLCERA GENITAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Júlia Lazzari Rizzi
  • Thaysi Carnet Figueiredo
  • Giovana Wachekowski
  • Rita de Cássia Fossati Silveira Evaldt

Palavras-chave:

Úlcera, Atenção, Primária, Saúde, Infecções, Sexualmente, Transmissíveis

Resumo

Introdução: As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) representam a segunda maior causa de morbidade em mulheres jovens nos países em desenvolvimento, apresentando repercussão como um problema de saúde pública não somente pela elevada prevalência, mas também pelas consequências da abordagem tardia, ou incorreta. (Luppi et al, 2011). A manifestação dessas infecções podem ocorrer em forma de síndromes, a destacar: corrimento uretral, vaginal, doença inflamatória pélvica e úlceras genitais. (BRASIL,2015). As úlceras genitais se manifestam com lesões ulcerativas erosivas, podendo ser precedidas por pústulas e/ou vesículas, além de dor, ardor, prurido, drenagem de material mucopurulento, sangramento e linfadenopatia regional. Dessa forma, destaca-se o papel fundamental da Atenção Primária na abordagem desses usuários, que devem realizar o acolhimento, informação/educação em saúde; consulta imediata nos casos sindrômicos; coleta de material, testagem rápida, início do tratamento do paciente e parcerias sexuais; notificação e referenciamento. (BRASIL, 2015). Objetivo: Relatar a importância do atendimento compartilhado para identificação, acompanhamento e abordagem de úlceras sem etiologia definida, além de identificar fragilidades no manejo na Assistência Primária à Saúde. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo de tipo relato de experiência sobre o acompanhamento de uma usuária do Sistema Único de Saúde (SUS) na atenção primária. Os atendimentos realizados foram interprofissionais, entre a enfermeira residente de saúde coletiva, acadêmica de medicina e o médico da Estratégia da Saúde da Família em um município da fronteira oeste do estado do Rio Grande do Sul. Resultados/Discussões: Paciente feminina, 17 anos, estudante, procura serviço de saúde para coleta de exame citopatológico de colo uterino. Refere queixa de lesão perianal dolorosa tipo ardência, prurido e episódios de dor ao evacuar com início há 20 dias, nega dor abdominal, náuseas e vômitos, refere apenas alguns episódios de pirose. Paciente previamente hígida, sem história pregressa relevante. Sexualmente ativa, uso de preservativo, sem parceiro fixo, não faz uso de contracepção hormonal, relação sexual anal há 5 meses. ectoscopia genital revela múltiplas vesículas perianais de em média 0,5 cm. Ao exame especular, colo róseo, com presença de sangue, compatível com o período menstrual. Realizou-se testes rápidos para HIV, sífilis, hepatite B e C, todos apresentando resultado negativo. Por orientação médica foi prescrito tratamento para herpes genital. Ao retornar refere melhora parcial do prurido e da ardência. Novo exame físico mostrou mudança das lesões que se transformaram em múltiplas placas, dolorosas ao toque, fundo esbranquiçadas, com bordas delimitadas, a maior apresentando cerca de 4 cm e as demais 0,5 cm. Realizado referenciamento para serviço especializado de ginecologia que não realizou outras investigações tampouco tratamento. Retornou com piora de sintomas. Após pesquisa em referenciais teóricos e contato com professora universitária, adotou-se tratamento empírico para úlcera genital conforme protocolo e diretrizes terapêuticas nacionais. Após 20 dias apresentou melhora dos sintomas, com aparente cicatrização das lesões. Orientado seguimento e retorno semanal para acompanhamento. Resultados: Os aspectos das úlceras genitais são variados e não tem boa relação de sensibilidade e especificidade com o agente etiológico. Dessa forma, o diagnóstico com base na inspeção possui valores preditivos positivos muito baixos. Ademais, discute-se a fragilidade da atuação dos profissionais dentro da rede de atenção à saúde, em busca de resolutividade ao referenciar a paciente para um serviço especializado. De acordo com o Conselho Nacional de Secretários da Saúde aponta seu objetivo de proporcionar atenção integral, de qualidade, resolutiva, de forma regionalizada, com articulação dos diversos pontos de atenção, para atender as necessidades da população. Contudo, a fragmentação da atenção da saúde se (des)organiza por conta de pontos isolados que não se comunicam uns com os outros, e dessa forma, incapazes de prestar atenção continuada à população. (CONASS, 2015). Conclusão: Conclui-se que mesmo o atendimento a usuária sendo realizado por uma equipe multiprofissional, algumas apresentações clínicas necessitam de avaliação ou matriciamento adequado,o que deixa uma lacuna entre o diagnóstico, início de tratamento, acompanhamento e desfecho favorável. Faz-se necessário estratégias de educação permanente em saúde para garantir qualidade dos atendimentos ofertados pela atenção básica, com ênfase nos temas de maior fragilidade, desta forma proporcionando um processo de contínua aprendizagem e desenvolvimento. Torna-se relevante a articulação entre os diferentes níveis de atenção à saúde e os setores que compõem a Rede de Atenção à Saúde.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

ABORDAGEM DA ÚLCERA GENITAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110130. Acesso em: 16 abr. 2026.