CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS NO PÊNIS DE UM EQUINO- RELATO DE CASO

Autores

  • Ana Paula da Costa Rodrigues
  • Luíza Gonçalves Martini
  • Marcos da Silva Azevedo

Palavras-chave:

Cavalo, Cirurgia, Neoplasia

Resumo

O carcinoma de células escamosas (CCE) é uma neoplasia maligna dos queratinócitos, sendo uma das neoplasias mais comuns em equinos. É caracterizada por ser invasiva, geralmente acontece regiões de pele despigmentada e com exposição a radiação solar. O objetivo desse trabalho é relatar um caso de carcinoma de células escamosas no pênis de um cavalo, dando ênfase a manifestação clínica e tratamento realizado. Foi atendido um equino, macho, castrado, com aproximadamente sete anos de idade, da raça Árabe e pelagem tordilha. Na avaliação clínica, o animal apresentava um aumento de volume no pênis, havia secreção mucopurulenta com odor fétido e miíase. Suspeitando de carcinoma de células escamosas foi indicada excisão cirúrgica, através de amputação parcial do pênis. A sedação foi realizada com xilazina na dose de 1,1 mg/kg por via intravenosa (IV), indução anestésica com cetamina na dose de 2,2 mg/kg/IV e diazepam 0,05 mg/kg/IV e a manutenção anestésica com anestesia total intravenosa pelo método triple drip com infusão contínua da associação dos seguintes medicamentos: Éter Gliceril Guaiacol (50 mg/kg), cetamina (1 mg/kg) e xilazina (3 mg/kg). Além disso, foi realizada a anestesia local com lidocaína. O animal foi posicionado em decúbito dorsal, foi colocado um torniquete na região proximal do local da amputação e realizada a antissepsia com iodo degermante e álcool. Ainda, foi colocado um cateter estéril para identificação da uretra. A incisão foi realizada forma de triângulo até chegar a mucosa, retirando o tecido conectivo do interior do triângulo, após foi feita uma divisão da uretra longitudinalmente. Nesse momento foi retirado o cateter que estava na uretra e após foi executada a sutura de isolado simples com fio ácido poliglicólico 2-0 nas bordas da uretra e pele e realizada a incisão da uretra e pênis. A túnica albugínea foi suturada sobre os corpos cavernosos do pênis onde foi realizada uma incisão transversalmente e suturados com sutura interrompida simples com fio ácido poliglicólico 2-0, a primeira sutura é colocada na linha média e as outras divididas em duas partes. A mucosa foi suturada a pele com sutura interrompida simples com fio ácido poliglicólico 2-0. Além disso, foi colocada uma sonda do tipo Foley na uretra utilizada como dreno no pós-cirúrgico, a qual foi retirada 48 horas após a cirurgia. Durante a cirurgia foi coletado material para o exame histopatológico, confirmando ser carcinoma de células escamosas. O pós-operatório consistiu em antibioticoterapia com gentamicina na dose de 6,6 mg/kg por via intramuscular (IM), anti-inflamatório com flunexin meglumine na dose de 1,1 mg/kg/IM , soro antitetânico, bem como limpeza da ferida diariamente. Os pontos da sutura foram retirados 14 dias após a cirurgia. As áreas mais afetadas por carcinoma de células escamosas são locais de despigmentação da pele, principalmente pálpebras, prepúcio e vulva dos equinos, o que corrobora com o presente trabalho onde havia despigmentação da pele. As lesões do carcinoma de células escamosas são geralmente mal circunscritas, ulceradas e muitas vezes proliferativas e granulomatosas, podendo ser dolorosas e fétidas. Semelhante ao citado pela literatura, no presente relato de caso, o animal apresentava uma lesão granulomatosa, com odor fétido e secreção mucopurulenta. Outras doenças neoplásicas e granulomatosas como melanoma, fibropapiloma, sarcóide, pitiose e habronemose devem ser consideradas no diagnóstico diferencial de carcinoma de células escamosas, por esse motivo é importante a realização do exame histopatológico, o qual foi realizado nesse trabalho, confirmando o diagnóstico. Os tratamentos para essa afecção incluem uma variedade de modalidades terapêuticas, sendo a exérese cirúrgica uma delas. A amputação de pênis é indicada em lesões neoplásicas invasivas e granulomatosas, nesse trabalho foi utilizado essa técnica para retirada da neoplasia. As complicações da técnica de amputação de pênis são deiscência da sutura, formação de granulomas, hemorragias e estenose uretral, entretanto nesse equino não houve nenhuma complicação pós-cirúrgica e o animal voltou a sua rotina após alguns meses. A técnica utilizada nesse relato de caso se mostrou eficiente, tendo em vista que foi retirada a neoplasia, não houve nenhuma complicação após a cirurgia e o animal foi reintroduzido a sua rotina. Contudo, deve-se salientar a importância dessa afecção em equinos, considerando que é caracterizada por ser uma neoplasia maligna.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS NO PÊNIS DE UM EQUINO- RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110078. Acesso em: 13 abr. 2026.