RELATO DE CASO: SUSPEITA DE REAÇÃO DE HIPERSENSIBILIDADE A MEPERIDINA EM UMA CADELA
Palavras-chave:
Reação, hipersensibilidade, Meperidina, Petidina, OpioideResumo
Reações de hipersensibilidade mediadas por Imunoglobulinas-E (Ig-E) ou não, desenvolvem sinais sistêmicos como angioedema, urticária, vasculite, edema de laringe, broncoconstrição e que, se não revertidos prontamente, podem ocasionar a morte do animal. A meperidina, também conhecida como cloridrato de petidina, é um opioide sintético, agonista de receptores µ comumente utilizado para tratar dores leves à moderadas. Ela também é conhecida por causar liberação de histamina, entretanto essa liberação raramente causa alguma reação de hipersensibilidade. Desse modo, o presente relato tem por objetivo apontar uma possível reação de hipersensibilidade pelo o uso de meperidina. Relata-se o caso de um canino, fêmea, 1 ano de idade, sem raça definida, sem histórico de alergias e procedimentos anestésicos anteriores e que seria submetida a ovariohisterectomia eletiva na clínica veterinária Doutor Pet localizada em Uruguaiana-RS. Previamente ao procedimento cirúrgico, foi colhido sangue para realização de exames complementares, sendo estes hemograma e bioquímicos. Os resultados demonstraram algumas alterações, sendo essas, aumentos de magnitude leve em ureia (32 mg/dL {valor de referência, até 27 mg/dL}), alanina aminotransferase (ALT) (205 U/L {valor de referência, até 125 U/L}) e linfócitos (5,32 K/µL{valor de referência, até 5.10 K/µL}). Na avaliação pré-anestésica, foi constatado que o animal era hígido, com parâmetros fisiológicos dentro dos valores de referência, classificando-o assim como ASA I. Como medicação pré-anestésica (MPA) foi utilizada a associação de dexmedetomidina (3 mcg/kg), cetamina (1 mg/kg) e cloridrato de petidina (3 mg/Kg), todos administrados por via intramuscular. Após 10 minutos da administração percebeu-se um aumento de volume facial caracterizando um angioedema, levando à suspeita de uma reação de hipersensibilidade induzida pela liberação de histamina, o que ativou mastócitos e eosinófilos a liberarem mais histamina e outros mediadores químicos. De imediato, foi realizado tratamento com uma dose de choque de succinato sódico de hidrocortisona (100mg/kg) por via intravenosa. Ademais, foi realizada a reversão dos efeitos da dexmedetomidina por meio do uso do cloridrato de atipamezole por via intravenosa, para que o animal pudesse recuperar a consciência sendo assim possível observar seu comportamento. Logo após a administração do atipamezole, o animal começou a recuperar a consciência e decorrida uma hora da aplicação da hidrocortisona a cadela voltou ao seu estado de normalidade. Devido ao ocorrido optou-se por não realizar a cirurgia naquele dia. A magnitude da liberação de histamina durante uma reação de hipersensibilidade está diretamente relacionada à dose empregada do fármaco, a velocidade e a via de administração. Acredita-se que a reação não foi de grande magnitude devido ao fato da dose administrada não ter sido alta e a via de administração escolhida não predispor à uma intensa liberação de histamina. Ainda a intervenção para corrigir o quadro foi rápida. A confirmação de uma reação de hipersensibilidade é realizada por meio de teste cutâneo (TC) que, no presente caso, teria que ser realizado com as três substancias usadas na MPA. O TC consiste na aplicação de sub-doses intradérmicas em regiões distintas do dorso do animal, após a aplicação aguarda-se um tempo e posteriormente visualiza-se qual substância aplicada desencadeou sinais de um processo alérgico. Reações de hipersensibilidade podem ser imprevisíveis, contudo é de extrema importância identificar os sinais e estar preparado para soluciona-los quando eles acontecerem, além do mais, é fundamental saber quais substâncias podem provocar reações alérgicas e se doses ou formas de administração predispõe essas reações para que assim, essas sejam evitadas.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RELATO DE CASO: SUSPEITA DE REAÇÃO DE HIPERSENSIBILIDADE A MEPERIDINA EM UMA CADELA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110076. Acesso em: 13 abr. 2026.