BLOQUEIO LOCORREGIONAL BILATERAL DO NERVO INFRAORBITAL COM O USO DE LIDOCAÍNA PARA NOSECTOMIA EM FELINO: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Anestesia, Bloqueio, locorregional, Dor, AnalgesiaResumo
A anestesia local vem sendo utilizada desde o final da década de 1880, quando a cocaína foi usada pela primeira vez para procedimentos oftalmológicos por Carl Koller e Sigmund Freud. Desde então, o uso da anestesia local vem sendo cada vez mais frequente na medicina veterinária, pela segurança oferecida pelos fármacos utilizados, praticidade, eficácia no controle da dor, redução do requerimento de anestésicos utilizados para manutenção anestésica, diminuição dos efeitos depressores e aumento da estabilidade cardiovascular. Os fármacos mais utilizados na realização de bloqueios locais são a lidocaína e a bupivacaína. O mecanismo de ação desses anestésicos locais consiste em bloquear reversivelmente os canais de sódio, impedindo a geração e propagação dos impulsos elétricos e a transmissão de estímulos para a medula espinhal e cérebro. A eficiência do bloqueio é diretamente proporcional a infiltração do anestésico, que deve ser feita o mais próximo da estrutura onde pretende-se dessensibilizar, para isso é de suma importância o conhecimento anatômico e a escolha da técnica mais adequada. O bloqueio locorregional do nervo infraorbital permite intervenções cirúrgicas nas regiões dos dentes caninos e incisivos superiores, lábios superiores, mucosa nasal e pele do nariz externo. O presente relato tem como objetivo descrever o bloqueio do nervo infraorbital para a realização de nosectomia em um felino. Foi atendido, na Clínica Veterinária Doutor Pet, em Uruguaiana-RS, um felino, sem raça definida, pesando 6kg, com doze anos de idade, apresentando uma lesão ulcerativa na narina esquerda, com evolução de dois meses sem histórico de trauma, não causava incomodo ao animal e formavam-se crostas sobre a lesão. Foi realizado um exame citológico que teve o resultado sugestivo de carcinoma de células escamosas (CCE). Devido a extensão da lesão, o paciente foi encaminhado para a realização de uma nosectomia. Foram realizados exames complementares (hemograma e bioquímico), cujos resultados apresentaram-se dentro dos valores de referência da espécie. Na avaliação pré-anestésica foi constatado que o animal estava hígido para o procedimento, com os parâmetros fisiológicos dentro dos valores de referência, sendo classificado com ASA II. Como medicação pré-anestésica foi administrada a associação de dexmedetomidina (3 mcg/kg), cetamina (3 mg/kg) e cloridrato de petidina (2 mg/Kg), todos administrados por via intramuscular. A indução foi realizada com propofol na dose de 4 mg/kg por via intravenosa. Ato contínuo foi realizada a intubação endotraqueal e a manutenção anestésica por via inalatória com isoflurano vaporizado em oxigênio 100%, sendo administrado dose-efeito, por meio de vaporizador universal. Após a estabilização do plano anestésico foi realizado o bloqueio do nervo infraorbital. O procedimento consistiu na localização do forame infraorbitário e a introdução do mandril do cateter (24G) no mesmo, para a posterior infiltração da solução anestésica de lidocaína 2% sem vasoconstritor (3 mg/kg). As frequências cardíaca (FC) e respiratória (f) foram monitoradas durante todo o procedimento, se mantendo estáveis até o final, dispensando a realização de analgesia adicional no transoperatório. Ao final do procedimento, o animal recuperou a consciência de forma rápida e tranquila sem apresentar sinais de excitação. Concluiu-se que a realização do bloqueio locorregional do nervo infraorbital foi eficaz e satisfatória na dessensibilização necessária para a nosectomia. Os bloqueios locorregionais são uma ferramenta muito utilizada por anestesiologistas para o controle da dor em procedimentos cirúrgicos e implicam em uma anestesia tranquila e melhor recuperação pós-operatória. Promovem um grande benefício ao paciente, além de terem um baixo custo e uma taxa de sucesso alta.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
BLOQUEIO LOCORREGIONAL BILATERAL DO NERVO INFRAORBITAL COM O USO DE LIDOCAÍNA PARA NOSECTOMIA EM FELINO: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110074. Acesso em: 13 abr. 2026.