TRATAMENTO DE FRATURA EXPOSTA DE METATARSOS EM UM CANINO APÓS ACIDENTE BALÍSTICO

Autores

  • Enddie Dominique da Silva Alves
  • Catherine Konrad Nava Calva
  • Marinara Macelai Leite
  • João Pedro Scussel Feranti

Palavras-chave:

Fratura, Projétil, Feridas, Açúcar, Infecção

Resumo

Os projéteis são objetos perfuro-contundentes que lesionam e deformam os tecidos no momento do impacto, essas lesões são consideradas emergência e requerem procedimentos que otimizem o atendimento permitindo uma rápida e eficaz intervenção médica. O objetivo do presente relato é descrever o tratamento clínico e cirúrgico efetuado em um canino com fratura exposta cominutiva de metatarsos no membro pélvico direito (MPD), ocasionado por acidente balístico. Foi atendido um cão de trabalho utilizado para caça, SRD, 3 anos, macho, não castrado, 30,9 kg, escore 2/5. Tutor relatou que em uma das caçadas o animal foi atingido por projétil de forma acidental no MPD. No exame físico, observou-se a ferida traumática estágio IV infectada com exsudato purulento. Na radiografia do MPD foi observada a presença de material radiopaco alojado na região caudal dos metatarsos e tecidos moles, assim como, fratura cominutiva em terço médio de 2º, 3º e 4º metatarsos, com diversas esquirolas adjacentes a lesão. No hemograma havia uma anemia arregenerativa normocítica/normocrômica. Com base no diagnóstico se instituiu um plano de tratamento para o paciente. Uma transfusão sanguínea foi feita para corrigir a alteração na série vermelha do hemograma. A ferida foi tratada de forma cirúrgica, para desbridamento de tecidos, remoção de fragmentos dos projéteis, fios utilizados pelo tutor em uma tentativa de reduzir a lesão, e pequenos fragmentos ósseos livres. Na sequência, foi efetivada a osteossíntese de metatarsos com fixador esquelético externo (FEE), inserindo-se 3 pinos proximais e 3 pinos distais à fratura, estabilizados com barra de acrílico moldada ao membro. Os primeiros 15 dias de pós cirúrgico foram feitos de forma intensiva. A ferida foi tratada por segunda intenção inicialmente com curativo bioativo limpo, trocado três vezes ao dia. Os insumos do curativo foram cloreto de sódio 0,9%, açúcar, sulfadiazina de prata e (Vetaglós®). No 7° dia, foi realizada amputação do I dígito devido a necrose e alterações hematológicas que indicaram sepse. O paciente teve alta hospitalar sendo recomendado a troca de curativo três vezes ao dia pelo tutor. Depois de 46 dias do pós-operatório, o paciente retornou para a avaliação, a ferida estava na fase de maturação sendo possível remover o FEE. O choque hipovolêmico devido à hemorragia pode acontecer e deve ser corrigido com agilidade. A sepse é comum em casos de ferida grave. A transfusão sanguínea associada à antibioticoterapia demonstrou eficiência na estabilização do quadro clínico. A fratura exposta é uma emergência ortopédica, necessitando de rápida e eficiente intervenção cirúrgica afim de evitar a infecção. Para estabilizar o membro do paciente foi utilizado o FEE, o qual tem como vantagens, ser um equipamento mais simples, que permite ajustes secundários e de fácil remoção, além de ser um método que proporciona um bom suporte de cargas em fraturas de metatarsos, mantendo a vascularização dos tecidos moles quando bem empregado. Em virtude da ferida possivelmente infectada e a falta de tecido viável para síntese, optou-se pela cicatrização por segunda intenção, mesmo sabendo do tempo mais prolongado de cicatrização. Embora o paciente tivesse um prognóstico reservado, pelas inúmeras lesões e possibilidade de amputação do membro, devido a infecção, a conduta escolhida foi a melhor alternativa para preservar o membro e garantir a recuperação satisfatória do paciente.

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Publicado

2021-11-16

Como Citar

TRATAMENTO DE FRATURA EXPOSTA DE METATARSOS EM UM CANINO APÓS ACIDENTE BALÍSTICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110069. Acesso em: 15 abr. 2026.