MASTOCITOMA CUTÂNEO EM CÃES: 45 CASOS
Palavras-chave:
Classificação, Neoplasia, PatologiaResumo
Mastocitoma é um neoplasma maligno proveniente de mastócitos e comumente encontrado na pele. Ocorre com maior frequência em cães e representa 7 a 21% de todos os neoplasmas cutâneos caninos. Pode apresentar caráter focal ou multicêntrico na pele, e ocasionalmente pode afetar baço, fígado, intestino e outros tecidos. Os mastocitomas na pele, se apresentam geralmente como nodulações avermelhadas na derme, não encapsuladas e microscopicamente compostos por mastócitos neoplásicos e com diferentes graus de malignidade. Esse é um dos tipos de câncer mais importantes em cães e o diagnóstico precoce, realizado de forma assertiva é fundamental para a cura dos pacientes. Cães da raça boxer, pug, boston terrier, bull terrier, labrador retriever tem predisposição ao desenvolvimento desse tumor cutâneo. A maioria dos tumores ocorre em animais com idade mais avançada, com média de idade de 8 anos. Não existe predileção sexual. O objetivo deste trabalho foi avaliar as características epidemiológicas e clínico-patológicas de mastocitomas cutâneos caninos diagnosticados no Laboratório de Patologia Veterinária (LPV) UNIPAMPA. Foram avaliados os laudos de casos diagnosticados como mastocitoma cutâneo canino entre os anos de 2011 a 2020, no LPV-UNIPAMPA. Os dados epidemiológicos e patológicos foram compilados para análise estatística de frequência. Todos os casos também foram submetidos a repadronização conforme a classificação de Kiupel et al. (2011), com base no seu comportamento biológico. Assim, os graus 1 e 2 estão no grupo de baixo grau e o grau 3 no de alto grau. Durante este período, foram observados 45 casos de mastocitoma cutâneo. A partir dessa nova classificação, 21 casos foram repadronizados em baixo grau (46,7%), 14 casos como alto grau (31,1%), e 10 casos não foram reclassificados (22,2%) pois não apresentavam classificação prévia quanto ao grau. Em relação às raças, foi observado que de 45 cães, 14 eram sem raça definida SRD (33,33%), em seguida a raça boxer (22,22%), a raça poodle e labrador igualmente (11,11%), pinscher e dachshund respectivamente (4,44%) e outras raças (13,33%) com não mais que um caso por cada raça. A idade média dos pacientes correspondeu a 10,5 anos e se mostrou mais frequente em fêmeas (66,67%), que em machos (33,33%). Os tumores foram mais frequentemente observados na pele da região perianal com 20% (n=9), região torácica (15%(n=7), região inguinal, região abdominal, membros pélvicos e nódulos dispersos na pele, igualmente com 11,11% (n=5) cada, as porcentagens referentes a outras localizações que eram inferiores a 7% foram agrupados na categoria outros (20%). A descrição proposta por Patnaik et al. (1984) para classificação do mastocitoma em graus 1, 2 ou 3 era amplamente difundida e utilizada pela maioria dos laboratórios de diagnóstico. Em 2011, uma nova classificação para esse tipo de câncer foi proposta, e começou a ser validada desde então. A falta de distinção entre mastocitomas de grau 1 e 2, sendo ambos não associados com o aumento de incidência de mortalidade ou associados a diminuição de sobrevida geral, sugerem que estes não sejam grupos subdivididos, mas representam um espectro de baixo grau. O sistema de 2 graus de mastocitomas, de baixo e alto grau, pode ser mais apropriado e de maior utilidade clínica. Os mastocitomas de alto grau devem apresentar qualquer uma das seguintes características: pelo menos sete figuras de mitose em 10 campos de grande aumento; pelo menos três células multinucleadas em 10 campos de grande aumento; pelo menos três núcleos bizarros em 10 campos de grande aumento; cariomegalia. Mastocitomas de alto-grau apresentam evolução mais rápida quanto à apresentação de metástases ou ao surgimento de novos tumores, bem como menor sobrevida, de aproximadamente quatro meses, em contraste aos dois anos de sobrevida em animais com tumores de baixo grau. Os tumores de baixo grau devem ser monitorados clinicamente e submetidos a avaliações com marcadores de proliferação para determinar o risco de metástases e selecionar o tratamento. A classificação histológica é o fator prognóstico mais consistente na avaliação de cães com mastocitoma e está relacionado à sobrevida. Conforme o artigo Proposal of a 2-Tier Histologic Grading System for Canine Cutaneous Mast Cell Tumors to More Accurately Predict Biological Behavior, publicado na revista Veterinary Pathology, por Kiupel e colaboradores em 2011, com esse novo sistema os patologistas são capazes de identificar mastocitomas mais agressivos com maior consistência e menor ambiguidade. A partir desse levantamento, pode-se concluir que os cães sem raça definida, seguido de cães da raça boxer foram os mais acometidos na região de Uruguaiana-RS, além de a localização de maior incidência ser a perianal. A maioria dos cães foram diagnosticados com mastocitoma baixo grau, o que significa um prognóstico favorável e uma taxa de sobrevida maior para esses cães.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
MASTOCITOMA CUTÂNEO EM CÃES: 45 CASOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110062. Acesso em: 13 abr. 2026.