MENINAS EXATAS – INCENTIVO AO INGRESSO DE MENINAS NA ÁREA DE COMPUTAÇÃO

  • Indra Santos
  • Maria Elizabeth Bárcena Silva
  • Ana Paula Ludtke Ferreira
Rótulo Gênero, Ciências, Exatas, Feminismo

Resumo

As mulheres, segundo os dados do INEP, já são maioria tanto no número de matrículas quanto no número de egressos no Ensino Superior no Brasil há cerca de 20 anos. Contudo, nas chamadas áreas STEM (Science, Technology, Engineering, Mathematics), a participação feminina é significativamente menor. Nas áreas da Computação, dados sistematizados pela Sociedade Brasileira de Computação mostram que as mulheres perfazem cerca de 15% dos estudantes da área. A pouca representação das mulheres nessas áreas gera outras desigualdades no campo das atividades profissionais: as mulheres têm somente 20% dos empregos nas áreas da Tecnologia e somente 28% dos pesquisadores de todo o mundo são mulheres, segundo dados da UNESCO. Um recente estudo sobre a participação das mulheres nas áreas STEM mostra que o desempenho médio n os cursos superiores dessas áreas é maior do que o desempenho médio dos estudantes do sexo masculino. Adicionalmente, esse mesmo trabalho apresenta que a variância do desempenho das mulheres é significativamente inferior aos dos homens, ou seja, o desempenho médio das mulheres é mais consistente e regular. Dados brasileiros do Censo da Educação Superior apontam que o índice de evasão das mulheres nos cursos STEM é significativamente menor que o mesmo índice dos homens. Se o propósito das instituições de ensino superior brasileiras é cumprir as diretrizes e metas nacionais e mundiais de desenvolvimento da educação e da tecnologia, não se pode prescindir do aumento do ingresso das mulheres nessas áreas. O objetivo geral deste projeto é promover ações de formação na área de Ciência e Engenharia de Computação a para meninas matriculadas na rede pública escolar da cidade de Bagé, com vistas a motivar seu interesse na área de Ciências Exatas e consequente futuro ingresso nas carreiras associadas à Computação. A metodologia escolhida para as atividades nas escolas é conhecida como computação desplugada, em que conceitos relacionados à área de Computação são trabalhados sem o uso de computadores e o público alvo são estudantes do Ensino Médio. Sabendo-se que no Ensino Médio os alunos já criaram resistência às áreas mais duras, optou-se por uma abordagem linguística: o trabalho foi iniciado com a pergunta Como nos comunicamos? seguida por uma discussão ilustrada por textos de diferentes alfabetos. Rapidamente a noção de alfabeto e palavras como sequências de símbolos somente trabalhada no 5º semestre de Engenharia de Computação surgiu como conclusão. O desafio de criar um alfabeto com somente três símbolos para comunicar datas de nascimento foi aceito e em cerca de uma hora todos os grupos já tinham codificado suas datas de nascimento e decodificado as dos colegas. O experimento mostrou que uma abordagem relacionando conceitos computacionais de Teoria dos Códigos podem ser trabalhados de maneira efetiva quando os alunos são capazes de partir de elementos conhecidos.

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Publicado
2020-12-04
Como Citar
SANTOS, I.; ELIZABETH BÁRCENA SILVA, M.; PAULA LUDTKE FERREIRA, A. MENINAS EXATAS – INCENTIVO AO INGRESSO DE MENINAS NA ÁREA DE COMPUTAÇÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 3, 4 dez. 2020.