Diálogo e Alteridade no Projeto de Extensão Falando com as mãos: Libras no PET

  • Icaro Olanda
  • Cinara Krul Vargas
  • Pâmela Belmutes Pinheiro
  • Camila Alves
  • Geice Peres Nunes
Rótulo LIBRAS, PET, Diálogo, Alteridade, Singularidade

Resumo

Não é tarefa fácil pensar o outro sujeito, uma vez que ele é sempre singular, como nos alerta Bakhtin (2003). Posto isso, nós, o grupo PET Letras, da Universidade Federal do Pampa, câmpus Jaguarão, nos lançamos no diálogo com o outro através do Projeto de Extensão Falando com as mãos: LIBRAS no PET, com sua primeira edição no ano corrente. O intuito dessa atividade é proporcionar aos petianos o exercício de alteridade a partir da língua(gem) em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais); assim como preparar, em conjunto com o grupo PET, professores parceiros e intérpretes, uma ação que sensibilize, esclareça e incentive a conversação em LIBRAS. Objetivamos apresentar uma reflexão sociocultural a respeito da carência existente no letramento nessa área, no curso de Letras da UNIPAMPA, em Jaguarão, e a inserção e interação com a comunidade surda acadêmica e a externa e de como há a necessidade de uma capacitação continuada para um diálogo e entendimento da Língua de Sinais. Diante disso, nos valemos da reflexão de Audrei Gessner somos permeados, sejamos surdos ou ouvintes, por múltiplas identidades e culturas (GESSNER, 2006, p. 136-144 apud GESSNER, 2009, p. 52) para (re)pensarmos os conceitos da língua(gem) na LIBRAS e, consequentemente, a uma série de fatores inerentes a ela como identidade, cultura, história, etc. Para corroborar com a análise do projeto, tomamos os conceitos de sujeito singular e alteridade, proposto por Bakhtin (2003); ademais das experiências dos sujeitos surdos que entraram no diálogo conosco. O objetivo planejado, inicialmente, para o projeto foi conscientizar sobre a necessidade de se comunicar em LIBRAS como forma de inclusão e acessibilidade ao surdo. Além de capacitar o petiano a comunicar-se na Língua de Sinais, aproximá-lo de uma importante área de Letras, que constitui um campo de estudo e formação. No entanto, entre a organização do projeto, leituras teóricas e capacitações internas do grupo; percebemos que, na verdade, houve um equívoco nas nossas proposições quanto à relação entre sujeitos singulares de mundos coabitantes: cultura surda e ouvinte. Nesse sentido, o projeto foi pensado como forma de inclusão e acessibilidade ao surdo, porém, o que constatamos foi que na realidade nós, ouvintes, é que precisávamos, também, ser inseridos e incluídos via língua(gem) - visto que, as relações de poder perpassam por ela - no universo do sujeito surdo. Como aponta Bakhtin, O que ocorre, de fato, é que, quando me olho no espelho, em meus olhos olham olhos alheios [...] (BAKHTIN, 2003, p. 366), isto é, o outro sujeito que acusa a nossa singularidade: surdo e ouvinte; e a partir disso nós exercitamos na prática o conceito de alteridade. Saímos do nosso lugar e vamos ao encontro do outro e retornamos com o que aprendemos. Sendo assim, com tudo o que foi posto, podemos afirmar a importância de uma ação continuada referente à nossa inclusão em um diálogo permeado pela língua(gem) em LIBRAS, uma vez que só nos conhecemos a par

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Publicado
2020-12-04
Como Citar
OLANDA, I.; KRUL VARGAS, C.; BELMUTES PINHEIRO, P.; ALVES, C.; PERES NUNES, G. Diálogo e Alteridade no Projeto de Extensão Falando com as mãos: Libras no PET. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 3, 4 dez. 2020.