RELATO DE CASO ÚLCERA DE CÓRNEA

  • Marília Gabriela Andrade Pachla
  • Patricio Azevedo
  • Lenir Gonçalves Leite
Rótulo Úlcera, Córnea, Cães, Enfermidade

Resumo

Dentre as afecções do olho dos animais, as de córnea se destacam como uma das grandes causadoras de cegueira, em particular úlceras (NELSON e MacMILLAN, 1988). A úlcera de córnea ou ceratite ulcerativa é uma afecção onde ocorre a perda total da espessura do epitélio ou perda parcial do estroma corneal (SHERDING, 2008). A ceratite ulcerativa possui uma ampla variedade de causas, entre elas o traumatismo é a etiologia mais comum. Além disso, abrasões, corpos estranhos, agentes químicos, infecções bacterianas e virais, anormalidade dos cílios, anormalidades palpebrais, doenças endócrinas e metabólicas, são possíveis causas desta enfermidade (KAHN, 2008). Esta enfermidade, explica Calvino (2006), apresenta sinais clínicos clássicos como dor, blefarospasmos, fotofobia e epífora decorrente de edema corneal, perda da transparência da córnea e neovascularização. A escolha da forma de tratamento varia de acordo com o grau de comprometimento e os sinais de dor que o animal estiver apresentando (PAVAN, 2009). Peiffer, Gellat e Gwin (1977) explicam ainda que algumas são susceptíveis de tratamento clínico, mas um grande número requer reparação cirúrgica a fim de ser mantida a integridade visual do paciente. O Diamond Bur é uma broca coberta com pó de diamante acoplada a um motor de baixa rotação que se aplica sobre a córnea para a realização do debridamento epitelial. Após a retirada do segmento corneal pode ser feito o recobrimento com a terceira pálpebra, procedimento conhecido como flap de terceira pálpebra (RIBEIRO, 2015; SLATTER, 2005). O recobrimento com essas membranas naturais tem sido utilizado como meios para prevenção de recidivas, porém Slatter (2005) ressalta que isso não é comprovado cientificamente. Chegou ao hospital veterinário Dr. Álvaro Abreu um canino, macho, não castrado, da raça Shithtzu, três anos de idade com lesão aparente no olho esquerdo. Na anamnese tutor relatou que paciente havia sido operado para extirpação da glândula da terceira pálpebra de ambos os olhos. Na ocasião foi recomendado o uso de sulfato de condroitina A, porém este não foi utilizado adequadamente. No exame clínico foi possível observar blefaroespasmo, epífora e ainda presença de pus. Diante da suspeita de úlcera de córnea, foi realizado o Teste de Fluoresceína onde foi possível observar úlcera de córnea. A abordagem terapêutica foi reparação da úlcera de córnea com Diamiond Bur e sutura conjuntival . A abordagem terapêutica do pós-operatório foi ceftriaxona 1,35mL e meloxica 0,9mL . Para terapêutica em casa foi receitado cefalexin um comprimido de 300mg mais ½ comprimido ao dia por 11 dias. Solicitou-se o retorno para 15 dias após o procedimento onde foi possível observar ausência da secreção ocular, mucosas normocoradas. A retirada dos pontos foi realizada 21 dias após a cirurgia, onde observou-se a reparação completa do epitélio da córnea.

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Publicado
2020-12-04
Como Citar
GABRIELA ANDRADE PACHLA, M.; AZEVEDO, P.; GONÇALVES LEITE, L. RELATO DE CASO ÚLCERA DE CÓRNEA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 3, 4 dez. 2020.