ADOECIMENTO DOCENTE E SUAS IMPLICÂNCIAS ORGANIZACIONAIS NAS ESCOLAS DE URUGUAIANA/RS

Autores

  • Nathalie Ribas
  • Lidiele Roque Bueno
  • Susane Graup do Rego
  • Phillip Vilanova Ilha

Palavras-chave:

Absenteísmo, Docente, Saúde, Professor, Escola

Resumo

O absenteísmo docente é um fenômeno com altas prevalências na Educação Básica, prejudicando todo o funcionamento das instituições de ensino, além de causar sérios prejuízos à educação. Diante disso, este estudo teve como objetivo analisar os procedimentos organizacionais adotados frente ao afastamento de docentes adoecidos na rede municipal de Uruguaiana/RS. Trata-se de um estudo descritivo de abordagem quali-quantitativa, do qual participaram os Coordenadores do Setor Pedagógico e Administrativo da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e Equipes Diretivas/Pedagógicas de quatro escolas municipais de Ensino Fundamental com maior frequência de afastamentos de docentes no município. Para tal, realizou-se uma entrevista semiestruturada individual no mês de junho de 2020, na qual os entrevistados deveriam responder à seguinte pergunta: Quais são os procedimentos adotados frente aos afastamentos? Cada entrevista foi gravada com autorização prévia, transcrita e analisada utilizando a Análise de Conteúdo e Análise de Frequências. Todos os procedimentos da pesquisa foram aprovados pelo Comitê de Ética e Pesquisa da instituição dos pesquisadores (parecer nº 29147819.5.0000.5323). Participaram do estudo 11 sujeitos, sendo 3 da SEMED e 8 das escolas, sendo possível identificar que diferentes estratégias são adotadas considerando a duração dos afastamentos docentes, o que gerou duas categorias de soluções: Remanejo Interno (Escola) e Remanejo Externo (SEMED). Na primeira categoria (afastamentos curtos), a maioria das escolas (91%) dispõe de professores substitutos. Apesar disso, percebe-se que esse profissional é muito utilizado, pois os relatos indicam que um substituto é pouco para a demanda de professores adoecidos. Foi possível identificar que existe diferença na organização de acordo com o nível de ensino, pois 54,5% dos pesquisados apontaram que nos anos iniciais existe a figura do substituto, mas nos anos finais do Ensino Fundamental são adotadas outras formas de compensação, como arranjos de períodos entre professores. Também, 18% dos participantes sinalizaram que quando um professor se ausenta buscam por alguém disponível na escola para ministrar alguma atividade. Este tipo de relato parece indicar que, para que os alunos não fiquem sozinhos, qualquer pessoa pode passar alguma atividade, demonstrando um olhar essencialmente de gestão burocrática e não pedagógico sobre a questão. Na segunda categoria, que compete à SEMED, 82% relataram ocorrer o provimento de outro professor convocado para a vaga do que está afastado por mais de 15 dias. Além disso, indicaram que primeiro a vaga é oferecida na própria escola e, caso não seja suprida internamente, é oferecida às escolas da rede. Pode-se concluir que a duração do afastamento é o fator que define o tipo de ações e procedimentos para suprir as lacunas de docentes adoecidos, sendo os procedimentos prioritariamente organizacionais e não pedagógicos.

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Publicado

2020-11-20

Como Citar

ADOECIMENTO DOCENTE E SUAS IMPLICÂNCIAS ORGANIZACIONAIS NAS ESCOLAS DE URUGUAIANA/RS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 12, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/105921. Acesso em: 9 abr. 2026.