ENSINO "ONLINE": UMA FERRAMENTA PARA PROMOÇÃO DE PRÁTICA OBSTÉTRICA ANTIRRACISTA

Autores

  • Ana Santos
  • Mariana Messias do Amaral
  • Rita De Cassia Fossati Silveira Evaldt

Palavras-chave:

Ginecologia, Obstetrícia, Antirracismo, Saúde, Pública, Educação

Resumo

Embora a saúde seja um direito garantido a todos pela Constituição Federal, na prática pode se revelar distante de alguns setores. Reflexo das heranças históricas brasileiras de manutenção das estruturas da escravidão mesmo após abolição, a discriminação por etnia e raça, moradia em localização periférica e baixa renda são obstáculos no acesso à saúde pelas pessoas negras. Na saúde materno-infantil o cenário não é diferente. A mortalidade materna é majoritária de mulheres negras com diversas causas reversíveis ou passíveis de prevenção. O conhecimento do arcaboiço socioeconômico e racial opressivo e de instrumento para combatê-lo, embora fundamental para o futuro profissional de saúde, não se faz presente na maioria dos currículos acadêmicos. Assim, durante a Pandemia de Coronavírus, a Liga de Saúde Materno Infantil (LASMI) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus da cidade de Uruguaiana, propôs o desenvolvimento de debate online sobre o tema Prática Obstétrica Antirracista. O objetivo centrou-se em fomentar a prática clínica e obstétrica antirracista para diminuição das inequidades em saúde. A discussão foi realizada por plataforma online de comunicação por vídeo e contou com 78 participantes. Considerando a importância dos espaços de fala e do protagonismo da mulher negra no debate em saúde pública, além do caráter interdisciplinar da saúde, as palestrantes foram três mulheres negras da área da Medicina, Enfermagem e Fisioterapia. A aula foi dividida em três tempos de acordo com as profissionais com discussão e espaço para dúvidas entre as palestras. A primeira palestrante apresentou panorama acerca da escravidão e seus reflexos no acesso à saúde pública atualmente pela população negra, a segunda dissertou acerca das percepções das gestações, parto e puerpérios de mulheres negras e a terceira relatou as práticas racistas vivenciadas como profissional e usuária do Sistema Único de Saúde. Tendo a saúde como um processo multifatorial e com forte componente social, além da dicotomia biomédica restritiva em saúde-doença, o racismo é forte componente de inequidade em Saúde Materno-Infantil. A objetificação, observação do indivíduo como um objeto e não um ser digno de respeito e direitos, dos corpos negros através da história de escravidão incita práticas de violência obstétrica. A realização de procedimentos, tal qual episiotomia, sem consentimento ou indicação é um exemplo. Ademais, a falsa e racista concepção de maior força das mulheres negras -fruto de um histórico de trabalho braçal forçado- é fator que fomenta a negligência durante os cuidados em saúde, como por exemplo, a menor analgesia ou diligência em caso de dor. A discussão do tema Prática Obstétrica Antirracista proposta pela Lasmi foi de grande valia. Através do conhecimento das macro e microestruturas de opressão, é possível promover a construção de ferramentas de combate às inequidades observadas na obtenção de uma saúde materno-infantil para as mulheres negras.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2020-11-20

Como Citar

ENSINO "ONLINE": UMA FERRAMENTA PARA PROMOÇÃO DE PRÁTICA OBSTÉTRICA ANTIRRACISTA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 12, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/105848. Acesso em: 8 abr. 2026.