REPERCUSSÕES PSICOLÓGICAS DO INTERNATO MÉDICO EM TEMPOS PANDÊMICOS: O OLHAR DE UM ACADÊMICO

Autores

  • Roberto Porto
  • Shana Hastenpflug Wottrich

Palavras-chave:

Educação, Médica, Psicologia, COVID-19

Resumo

Em dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi notificada sobre casos de pneumonia, causados por uma nova cepa do coronavírus, na cidade de Wuhan, província de Hubei na China, sendo esta a causadora da COVID-19. O risco de ser infectado por este vírus potencialmente fatal, cuja origem, curso e natureza são pouco conhecidos implica em importantes repercussões psicológicas, em especial, para os profissionais - e estudantes - que atuam em serviços de saúde. O presente estudo objetiva relatar a experiência de um interno do curso de Medicina no decorrer do estágio final, abordando as repercussões psicológicas emergentes mediante a realização de atividades do internato médico no cenário pandêmico. A primeira turma do curso de Medicina da Unipampa iniciou suas atividades de Internato em janeiro de 2020, com a pandemia chegando ao Brasil em fevereiro. A pausa no Internato médico ocorreu em março, com o retorno às atividades em setembro, ofertado de maneira voluntária: os acadêmicos concordantes deveriam seguir um protocolo de retorno à risca, incluindo o uso supervisionado de Equipamentos de Proteção Individual e realização de quarentena de 14 dias antes da retomada. Nesse contexto, evidencia-se que o enfrentamento da situação de Pandemia dispara a manifestação de mecanismos de defesa psicológicos nos estudantes, mecanismos inconscientes dos quais o sujeito lança mão para se defender da angústia despertada pelo desconhecido. Por um lado, tais mecanismos podem ser adaptativos, quando permitem ao estudante um certo distanciamento afetivo da realidade causadora de sofrimento, de forma que possa manter-se psiquicamente íntegro, realizando as atividades profissionais adequadamente. Por outro lado, podem causar reações que comprometem o trabalho, quando se manifestam de forma exacerbada e dificultam e/ou impedem o exercício do cuidado. O convívio constante com a morte, dor e sofrimento, imposto pela situação de Pandemia, acentua os mecanismos e reações psicológicas presentes, mesmo que os discentes não estejam inseridos nas linhas de frente. A imersão neste contexto tem implicado num desafio a mais, associado ao sentimento de medo e adoção de cuidados rigorosos, os quais culminam em um grande desgaste físico e emocional. Ademais, observa-se diariamente um cenário difícil, com profissionais constantemente amedrontados, diante das situações de adoecimento e morte iminentes. Diante desses elementos, torna-se imprescindível a sensibilização dos estudantes em torno do reconhecimento dos sentimentos e reações que emergem nas relações estabelecidas no contexto de estágio. Destarte, por meio da construção de espaços que potencializam o compartilhamento de narrativas dos estudantes sobre essas experiências, entende-se que é possível a construção de caminhos de elaboração psicológica das experiências vividas, com fito de minimizar o sofrimento e potencializar o cuidado nas relações construídas nesse contexto.

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Publicado

2020-11-20

Como Citar

REPERCUSSÕES PSICOLÓGICAS DO INTERNATO MÉDICO EM TEMPOS PANDÊMICOS: O OLHAR DE UM ACADÊMICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 12, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/105843. Acesso em: 9 abr. 2026.