RELATO DE CASO: MASTOCITOMA METASTÁTICO EM CÃO

Autores

  • Thais Mazzini
  • João Vitor Rodrigues de Souza
  • Luana Bolico Pletz Dias
  • Maria Elisa Trost

Palavras-chave:

Neoplasma, Oncologia, Anatopatologia, Metástase

Resumo

Mastocitoma é o neoplasma cutâneo mais comum em cães e pode acometer qualquer sítio do corpo, porém afeta mais frequentemente a pele dos membros, abdôme, tórax, região inguinal e prepúcio. Não há predisposição por sexo, todavia, é mais relatado em cães de meia idade a idosos, sendo o pico de ocorrência aos 8 anos de idade. Raças como Labrador Retriever, Golden Retriever, Weimaraner, American Staffordshire Terrier e raças braquicefálicas já foram descritas como predispostas. O diagnóstico definitivo é determinado através de dados clínicos aliados ao exame histopatológico das lesões. Visando reforçar a importância da busca precisa e precoce pelo diagnóstico da afecção afim de evitar possíveis complicações, o presente trabalho tem como objetivo a descrição de um caso de mastocitoma cutâneo em um cão com metástases hepáticas e esplênicas. Foi encaminhado ao Laboratório de Patologia Veterinária (LPV) da Unipampa, campus Uruguaiana-RS, um cadáver de um cão, fêmea, Labrador Retriever, de 15 anos, com histórico de remoção de nódulos cutâneos na região do abdômen que recidivaram após 2 meses da cirurgia. Na necropsia, observou-se que, na região da nodulectomia prévia, havia uma massa firme de cerca de 20 cm de comprimento. Ao corte, esta apresentava aspecto coloração marrom-clara, com áreas de hemorragia e edema. Ao exame interno do cadáver, notou-se hepatomegalia e esplenomegalia irregulares. Fragmentos de múltiplos órgãos foram coletados e fixados em formol a 10% para posterior processamento de rotina e avaliação histopatológica. Microscopicamente, a massa cutânea era composta de uma proliferação de células neoplásicas redondas dispersas em cordões e mantos, com citoplasma abundante rico em grânulos basofílicos, núcleo redondo central, com cromatina grumosa e nucléolo conspícuo, apresentando elevado pleomorfismo. Afim de ressaltar os grânulos das células neoplásicas, foi realizada a coloração especial Azul de Toluidina, obtendo-se o diagnóstico definitivo de mastocitoma de alto grau. No fígado e baço foram observadas áreas multifocais de proliferação neoplásica semelhante a anteriormente descrita (metástases). Na prática clínica veterinária, o encaminhamento de amostras para exames complementares é uma etapa essencial para a busca de um diagnóstico preciso e precoce. Caso tivessem sido encaminhadas amostras do neoplasma após a primeira nodulectomia, obtendo-se o diagnóstico de mastocitoma de alto grau, a abordagem clínica desse paciente poderia ser conduzida de forma mais cuidadosa, com reavaliações clínicas mais regulares e/ou uso de terapias adjuvantes, o que poderia ter aumentado sua sobrevida e a qualidade de vida. Uma vez que a obtenção de dados clínicos e laboratoriais é fundamental para o aumento do sucesso terapêutico não só para neoplasmas, mas diversas outras afecções, a integração entre profissionais clínicos e patologistas deve ser estimulada.

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Publicado

2020-11-20

Como Citar

RELATO DE CASO: MASTOCITOMA METASTÁTICO EM CÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 12, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/105753. Acesso em: 14 abr. 2026.