DIALOGISMO E ENUNCIAÇÃO: A PRODUÇÃO DE SENTIDO EM A TERCEIRA MARGEM DO RIO

  • Emanuel Machado
  • Raissa Lamadril da Silva Silveira
  • Évelin Rezende Rolim
  • William Viera Larruscahim
  • Isabel Cristina Ferreira Teixeira
Rótulo Enunciado, Dialogismo, Forma, Composicional

Resumo

Neste trabalho é feita uma análise do conto A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa, em Primeiras Estórias (1988), a partir das noções de dialogismo e enunciado, buscando compreender se tais instrumentos teóricos são suficientes para a análise de sentidos do conto. O objetivo geral é analisá-lo nessa perspectiva e, como objetivo específico, observar aspectos de sua forma composicional. O trabalho justifica-se a partir da percepção prévia de que muitos alunos do curso encontram dificuldades em estabelecer relações de sentido e em pôr teorias em prática, a partir de seus procedimentos. Mas é importante que os docentes em formação sejam capazes de mediar as relações de sentido que o texto produz. Em consonância com a teoria da enunciação, entende-se que todo enunciado se constitui a partir de outros enunciados, e que independente de sua dimensão, é dialógico. Para Bakhtin, o dialogismo é o modo de funcionamento real da linguagem, é o princípio constitutivo do enunciado (FIORIN, 2016, p. 27). Então, o dialogismo é constitutivo da linguagem; o enunciado, unidade de comunicação, significa em função de outros enunciados. Mas o dialogismo pode ser demarcado (FIORIN, 2016). Nesse caso, destacamos o discurso direto e o indireto, elementos presentes no conto em análise. Na narrativa, através do discurso direto, é perceptível a fala predominantemente do filho, pois o pai não tem iniciativa de falar e é apresentado como um homem de pouca linguagem. Essa interpretação, considerando o conceito de enunciado, permite ao leitor compreender a narrativa em alguns aspectos, começando pelo título a terceira margem do rio. O rio tem duas margens. O que seria a terceira, então? O pai é de poucas palavras, de pouca abstração. Precisa do concreto, do físico, mas procura algo que não existe: a terceira margem do rio. Seria o metafísico? Talvez o pai, por essa busca, inócua e incessante, represente todos nós, sujeitos desejantes, por natureza incompletos e insatisfeitos. Podemos compreender também o rio, metáfora da vida, como uma extensão do pai, como parte indissociável de si. O conto em questão permite muitas interpretações, a noção de dialogismo, o confronto entre o enunciado presente e os outros que fazem com que o presente signifique, confirma a ideia do homem como ser desejante, confirma também a de que essa é uma sina da qual não podemos escapar. Quando o pai está desistindo, o filho encaminha-se para tomar seu lugar. Qual a diferença entre eles? O filho é o narrador do conto. É um ser de linguagem, portanto, mais do que o pai conseguiu ser. Será que com a linguagem ele pode realizar um percurso diferente do pai? Será que a linguagem pode dar nome a nossos desejos e preencher nossas lacunas? Destacamos, por fim, que o estudo de A terceira margem do rio nos colocou diante de um desafio teórico e diante de um desafio de interpretação, mas é para isso que a reflexão teórica deve servir: analisar a língua(gem) e lhe atribuir sentidos.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
MACHADO, E.; LAMADRIL DA SILVA SILVEIRA, R.; REZENDE ROLIM, ÉVELIN; VIERA LARRUSCAHIM, W.; CRISTINA FERREIRA TEIXEIRA, I. DIALOGISMO E ENUNCIAÇÃO: A PRODUÇÃO DE SENTIDO EM A TERCEIRA MARGEM DO RIO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.