CONSTRUÇÕES DE GÊNERO NA BANDA DO IMBA-BAGÉ/RS: INTERPRETAÇÕES INICIAIS DE UM ESTUDO ETNOMUSICOLÓGICO HISTÓRICO

  • Thais Socca
  • Luana Zambiazzi Dos Santos
Rótulo Etnomusicologia, Construções, gênero, Banda, marcial, Memória, coletiva

Resumo

Esta é uma pesquisa etnomusicológica que tem por objetivo investigar as construções de gênero presentes na trajetória da banda do Instituto Municipal de Belas Artes Profª. Rita Jobim Vasconcellos (IMBA), Bagé/RS, no período entre 1960 e 1976. As inquietações da pesquisa advêm da minha trajetória musical na cidade, onde cresci e tenho presenciado conflitos de gênero. Para a pesquisa, tenho buscado identificar possíveis diferenciações de gênero, conflitos e hierarquias a partir das escolhas e práticas em instrumentos musicais de participantes. A pesquisa parte da linha musicológica feminista que aponta a música como algo que adota e contesta diversas construções sociais, criando e reproduzindo códigos de gênero ao atribuir determinadas características musicais ao masculino e ao feminino, um processo de construção de gênero. Até o momento, tenho realizado pesquisa no Arquivo Público Municipal, buscando listas de chamada e documentos relacionados à banda, tomando os conselhos de historiadores sobre as fontes documentais. Nos arquivos, constatei que, em seu início (1960), a banda tinha formação totalmente feminina, o que permaneceu por certo tempo; em 1976, os documentos mostram uma presença significativa de instrumentistas aparentemente associados ao masculino. Esta problemática determinou o recorte histórico escolhido para tratar da trajetória da banda. Com base nas listas de participantes do grupo, entrei em contato com ex-alunas da banda que hoje atuam profissionalmente no campo da música, o que tem criado uma rede de testemunhos, na perspectiva da história oral, e as recordações apresentadas estão sendo entendidas como parte da manutenção de suas memórias coletivas em torno de música. Assim, já é possível perceber que a banda atuou na construção de gênero de seus/suas participantes na associação de instrumentos a papeis femininos e masculinos. Em conversa com uma ex-aluna da banda, ela conta que a regente do grupo assim organizava os naipes musicais: Então o que que ela fazia? Ela colocava os meninos na percussão e as meninas entre flauta, escaleta e liras. Em outros trechos da conversa a ex-aluna evidencia que a banda, ao ter uma líder mulher, também constituía novos sentidos na relação entre a música e o feminino em pleno contexto de ditadura militar. Como exemplo disso são as características atribuídas à professora líder do grupo, de que ela era pra frente ou a frente do seu tempo, assim como era admirada pelos/pelas integrantes da banda: Então a gente admirava aquela pessoa que tava lá na frente conduzindo, inventando coisa, e nos conduzindo, e sempre coisas boas, sempre com um amor incondicional à arte, incondicional à música, né?. Até o momento o contato com o campo mostrou diferentes possibilidades de interpretação quanto às construções de gênero na banda e em suas/seus integrantes, levantando também aos agenciamentos das ex-integrantes em torno de suas práticas musicais, o que deverá ser aprofundado na pesquisa.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
SOCCA, T.; ZAMBIAZZI DOS SANTOS, L. CONSTRUÇÕES DE GÊNERO NA BANDA DO IMBA-BAGÉ/RS: INTERPRETAÇÕES INICIAIS DE UM ESTUDO ETNOMUSICOLÓGICO HISTÓRICO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.