PRECISAMOS FALAR COM OS HOMENS

  • Daiane Kohler
  • Domingos Sávio Campos de Azevedo
Rótulo Feminismo, Masculinidade, tóxica, Equidade, gênero

Resumo

Entende-se o feminismo como um movimento que visa envolver pessoas femininas e masculinas no intuito de projetar novas relações sociais e políticas. Porém, essa dimensão esbarra na estrutura histórico-social predominantemente sexista e opressora pela qual estamos vinculados. Tendo em vista que a identidade masculina também faz parte das formações sociais e que os homens são importantes aliados na luta anti-sexista, propõe-se neste trabalho a reflexão teórica acerca do papel desempenhado pelo homem na construção da equidade de gênero. Com uma abordagem qualitativa, ou seja, de caráter subjetivo de análise de discussões teóricas, realizou-se uma pesquisa básica estratégica. A escolha desse método proporcionou reunir os conhecimentos pré-existentes a respeito do tema e formou as bases para se pensar em novas perspectivas de práxis social. A masculinidade tradicional ou tóxica é construída por valores, crenças e socializações sexistas e todos nós, independente do gênero, somos responsáveis pela disseminação dessa formação cultural e social. Porém, enquanto grupo, os homens são quem mais se beneficiam do modelo social patriarcal, enquanto esse se baseia na supremacia masculina e como tal pressupõe o poder e o controle sobre as mulheres. Contudo, muitos dos privilégios masculinos possuem um preço e ser homem segundo os modelos patriarcais também é ser refém da representação dominante. Ademais, esse ideal supremacista masculino não é natural e tal identidade dominante não constitui a essência do sexo masculino. A compreensão acerca da dinâmica social e sua historicidade acrescida da reformulação de identidades podem ser caminhos fecundos para a desconstrução individual e coletiva no intuito de vislumbrar novas possibilidades de sociedade. Para tanto, a empatia só será genuína quando houver o real reconhecimento dos privilégios operantes de nossa cultura e essa perspectiva vale tanto para gênero quanto para classe, etnia e qualquer outro marcador social e/ou econômico. Ou seja, os privilégios nem sempre são visíveis a quem se beneficia deles, portanto, reconhecê-los é um desafio e serem expostos é uma necessidade. Pela investigação realizada, entende-se que o papel desempenhado pelo homem na construção da equidade de gênero não pode ser o silêncio. Nem tampouco o seu protagonismo nas lutas feministas, uma vez que tal lugar político pertence às mulheres. Mas sim, desenvolver empatia a partir do momento pelo qual se coloca em seu lugar de escuta, ao mesmo tempo que se utiliza de seu lugar de fala para desconstruir discursos que afirmam masculinidades tóxicas e de manutenção do sistema sexista de opressão. Esse enfrentamento ao machismo em seu cotidiano tanto em si quanto em seus iguais fortalece a luta por uma sociedade mais equilibrada e ratifica os processos realmente democráticos.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
KOHLER, D.; SÁVIO CAMPOS DE AZEVEDO, D. PRECISAMOS FALAR COM OS HOMENS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.