UTILIZAÇÃO DE SIG & PDI NO ESTUDO DE IMPACTO VISUAL

  • Clarice Galhardi
  • Rui Sérgio Saraiva Duarte Júnior
Rótulo Impacto, visual, Mineração, Quadrilátero, Ferrífero, SIG, PDI

Resumo

As imagens de satélites constituem-se em ferramentas indiretas indispensáveis para o desenvolvimento e a efetividade dos estudos ambientais. A identificação e o mapeamento de áreas degradadas representam importantes contribuições fornecidas pelo Sensoriamento Remoto e pelos Sistemas de Informações Geográficas, pois possibilitam uma gama enorme de análises espaciais, temporais e qualitativas. Com o objetivo de identificar e avaliar essas alterações na cobertura vegetal provocadas por atividades minerárias, foi estudada uma área com cerca de 65.000 hectares (645 km²) localizada na porção oeste do Quadrilátero Ferrífero (QF) na região centro-sul do Estado de Minas Gerais, onde ocorre extração de ferro por diversas empresas da região há aproximadamente 150 anos. O estudo consiste em um processo técnico de análise e interpretação, realizado sobre imagens de satélite, para identificar o avanço das áreas impactadas em diferentes épocas. Para tanto, foi realizado um mapeamento espacial-temporal com base nos dados das imagens multiespectrais Landsat da série de satélites Thematic Mapper (TM) entre os anos 1984 e 2017. Foram aplicadas nas imagens técnicas de processamento digital de imagens (PDI), combinações de bandas espectrais de imagens de satélite, cálculos de Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI) e operações de realce de contrastes para melhorar o aspecto visual das feições, considerando as características dos diferentes alvos. A produção das imagens possibilitou a elaboração de uma série de mapas temáticos de degradação ambiental resultante da atividade minerária da região. A análise comparativa dos mapas nas diferentes épocas dentro do período analisado permitiu estimar o aumento das áreas degradadas decorrente do avanço destas atividades. Verificou-se que para o ano de 1984, a área degradada devido ao avanço das atividades mineiras foi de 912 hectares (9,13 km²). Já em 2017, após 33 anos de atividades minerárias ininterruptas, foi provocado um aumento de mais de 500% nas áreas degradadas, chegando a cerca de 4.600 hectares (46 km²). Vale ressaltar que de forma proporcional, o aumento das concentrações urbanas foi ainda maior. A análise comparativa dos mapas nas diferentes épocas dentro do período analisado permitiu constatar que houve um considerável aumento das áreas degradadas decorrente do avanço das atividades minerárias com perdas da vegetação de cerca de 100 hectares em média por ano. O impacto visual neste caso é ressaltado por haver um grande contraste de cores entre as áreas de solos expostos e desnudadas da rocha e a vegetação circundante. A falta de ações efetivas de recuperação ambiental e revegetação das áreas degradadas pela mineração provoca significativo impacto ambiental, e consequentemente, visual, conforme se pôde constatar com este estudo.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
GALHARDI, C.; SÉRGIO SARAIVA DUARTE JÚNIOR, R. UTILIZAÇÃO DE SIG & PDI NO ESTUDO DE IMPACTO VISUAL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.