CARACTERIZAÇÃO DOS ÓBITOS POR HIV/AIDS E A RELEVÂNCIA DO COMITÊ DE MORTALIDADE POR AIDS

  • Maria Grutzmacher
  • Angélica Haefliger Reineri
  • Lucas Pitrez Da Silva Mocellin
Rótulo HIV/aids, Vigilância, Epidemiológica, Comitê, Mortalidade, aids

Resumo

INTRODUÇÃO: Devido Uruguaiana ser um dos municípios prioritários para o enfrentamento do HIV/aids no Estado do Rio Grande do Sul (RIO GRANDE DO SUL, 2014), a Secretaria Municipal de Saúde criou, em 2017, o Comitê de Mortalidade por aids de Uruguaiana (CMaids), objetivando fortalecer o combate à epidemia da síndrome. OBJETIVO: O presente projeto tem como objetivo caracterizar todos os óbitos por aids em Uruguaiana entre os anos de 2018 a 2020 e avaliar a estratégia de implementação de um CMaids através de indicadores de saúde. MÉTODO: Os dados referentes aos óbitos por aids são coletados nos sistemas de informação SINAN-aids, SIM, SISCEL e SICLOM, assim como em questionário online preenchido por todos os serviços de saúde. As informações obtidas são organizadas em uma linha do tempo que detalha o itinerário terapêutico percorrido pelo paciente desde a primeira vez que foi atendido na rede de serviços de saúde da cidade até seu óbito. Posteriormente, são identificados os fatores que determinaram direta ou indiretamente a morte, assim como elementos que a evitariam. Também são identificadas falhas relativas ao diagnóstico e/ou tratamento, conforme Protocolo de Investigação de Óbito por HIV/AIDS do Ministério da Saúde (BRASIL, 2014). Ao fim de cada ano, os dados são analisados para caracterização da população e observação de tendências no tempo dos indicadores. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Análise prévia do estudo é apresentada em relação aos dados do ano de 2018. Foram investigados 25 casos, dos quais 17 (68%) definiu-se serem óbitos relacionados à aids. Pessoas do sexo masculino (58,8%), raça/cor branca (64,7%) e escolaridade entre 4 a 9 anos de estudo (58%) foram os mais frequentes na população estudada, a exemplo do que fora encontrado em estudos prévios (GABRIEL et al. 2005; CABRERA et al, 2019). A média de idade foi de 42 anos (DP= 11). Usuários de álcool ou drogas representaram 29,41%. Foram diagnosticados com HIV apenas no momento do óbito 23,53% dos casos investigados. Após análise do CMaids, constatou-se que 76% dos óbitos poderiam ter sido evitados, sendo 90% destes masculinos e 57,1% femininos. Preenchimento inadequado de Declaração de Óbito (DO) foi encontrado em 52,9% dos registros. Em relação às falhas, em 64,7% dos casos foi verificada falha no eixo da comunidade e do indivíduo, seguido da falha no eixo dos profissionais da saúde, correspondendo a 58,8%. O número de falhas concomitantes para cada caso demonstrou que todos apresentaram pelo menos alguma falha em sua trajetória terapêutica. Duas falhas estiveram presentes em 47,1% e três falhas em 29,4%. CONCLUSÃO: Os achados do estudo até o momento mostram a importância da utilização da estratégia de formação de Comitês de mortalidade por aids em municípios prioritários para este agravo a fim de caracterizar os óbitos por aids, identificar fatores contribuintes para a morte e elencar ações locais em saúde efetivas para o enfrentamento do agravo.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
GRUTZMACHER, M.; HAEFLIGER REINERI, A.; PITREZ DA SILVA MOCELLIN, L. CARACTERIZAÇÃO DOS ÓBITOS POR HIV/AIDS E A RELEVÂNCIA DO COMITÊ DE MORTALIDADE POR AIDS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.