SITUAÇÃO DA INFECÇÃO PELO HIV EM USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL NO BRASIL

  • Maurício Charão
  • Karina de Castilhos
  • Vitor Augusto do Carmo Martins
  • Rodrigo Andrade Batista
  • Joao Felipe Peres Rezer
  • Vanessa Alvez Mora da Silva
Rótulo Infecções, Sexualmente, Transmissíveis, Vírus, Imunodeficiência, Humana, Saúde, Mental

Resumo

Introdução: Tendo em vista as últimas mudanças acerca do cuidado com a saúde mental, da internação hospitalar à ressocialização dos usuários, é importante analisar seu impacto sobre as formas de acolhimento dessa população específica, especialmente à saúde e educação sexual, dada a vulnerabilidade desse público para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), com foco no HIV. Objetivo: A abordagem psicossocial com a identificação da situação da infecção pelo HIV em usuários dos serviços de saúde mental no Brasil. Metodologia: Foi realizada uma revisão bibliográfica em plataformas de artigos científicos como SciELO e PubMed, utilizando como descritores: HIV, saúde mental e IST, foram selecionados os 21 artigos mais atuais. Resultados: Constatou-se que o HIV é um problema de saúde pública com taxas mais altas de prevalência em pessoas com alguma doença mental. Apesar dos avanços na terapia antirretroviral, a adesão das Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (PVHA) depende não apenas do contexto social, mas também de esclarecimento da sua condição e medidas de prevenção. No entanto, constatou-se que em serviços especializados há carência de educação continuada. Neste contexto, usuários dos serviços de saúde mental permanecem desassistidos de educação sexual, posto que, segundo Wainberg e colaboradores (2018) apenas 9% dos 641 recrutados faziam parte de algum programa de redução de comportamento sexual de risco. De acordo com Ministério da Saúde, no ano de 2018 havia 866 mil pessoas vivendo com HIV no Brasil, ou seja, 0,4% da população. Foi realizado teste anti-HIV em 2080 pessoas com doença mental, com resultado reagente em 0,7%, ou seja, acima da prevalência nacional, sendo ratificado por outro estudo que revela a soroprevalência para HIV de 0.8%, inclusive, 88,8% declararam-se sexualmente ativos e apenas 8% referiram uso de preservativo ao longo da vida. Assim, a vulnerabilidade de pessoas portadoras de doença mental é inerente e permanece mesmo após a Reforma Psiquiátrica, no modelo terapêutico atual que tem como medida a reinserção social, evidenciam que os riscos de contrair qualquer ISTs aumentam nesse grupo. Ademais, revela-se que as PVHA desenvolvam ao longo do tratamento alguma sintomatologia psicopatológica pelo estigma da infecção. Conclusão: A situação da infecção pelo HIV em usuários de serviços de saúde mental no Brasil é preocupante. A carência de informação, somado a falta de programas de educação sexual evidencia a necessidade da capacitação de profissionais e ampliação das estratégias de prevenção. Por isso, é evidente a implantação de ações multidisciplinares que sejam capazes de acolher, orientar e debater as práticas subjetivas e sexuais desses indivíduos.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
CHARÃO, M.; DE CASTILHOS, K.; AUGUSTO DO CARMO MARTINS, V.; ANDRADE BATISTA, R.; FELIPE PERES REZER, J.; ALVEZ MORA DA SILVA, V. SITUAÇÃO DA INFECÇÃO PELO HIV EM USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL NO BRASIL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.