O DESEJO DE GESTAR DE MULHERES EM SITUAÇÃO DE PRIVAÇÃO DE LIBERDADE

  • Laisa de Saldanha
  • Ana Caroline da Silva Pedroso
  • Nara Regina Da Costa E Silva Tarrago
  • Juliana Bracini Espadim
  • Leticia Silveira Cardoso
Rótulo Gestantes, 1, Prisioneiros, 2, Serviços, Saúde, Mulher, 3, Bacharelado, Enfermagem, 4

Resumo

Introdução: a gestação constitui-se no período entre a concepção do bebê e o parto. Neste ocorrem transições específicas na vida individual e familiar da mulher que advêm de necessidades fisiológicas de seu corpo a fim de promover o suporte também à vida em concepção. A estas se somam uma diversidade de mudanças no processo de pensar, sentir e ser da mulher que se singularizam a partir de aspectos socioambientais. Tal singularização decorre do ambiente no qual a mulher está inserida, da relação familiar e/ou socioafetiva com ou sem a presença do parceiro, do acesso à educação, moradia, trabalho e das diferentes formas de suporte social. Objetivo: desvendar concepções do ser mulher a partir da gestação em situação de privação de liberdade. Material e métodos: pesquisa de campo, vinculada ao projeto de pesquisa intitulado: Vigilância em Saúde: pesquisando estatísticas sobre pessoas privadas de liberdade, aprovado pelo Comitê de ética e pesquisa CEP/UNIPAMPA, nº 99861318.6.0000. Desenvolvido pela técnica de entrevista semiestruturada gravada, com 32 mulheres em situação de privação de liberdade, nos meses de agosto e setembro de 2019. Resultados e discussão: de 32 mulheres participantes, 13 relataram o desejo de gestar no ambiente carcerário. Destas, nenhuma é primípara, possuem em média quatro filhos, e nove recebem visita intima sem fazer uso do preservativo. Todas estão em idade reprodutiva, e apresentam o ensino fundamental incompleto como nível de escolaridade. Esse desejo de gestar associado a fatores como: reafirmar o papel social da mulher como progenitora; meio de despertar a cobiça entre os homens que se encontram na mesma situação; meio de ter como prêmio a proteção no ambiente carcerário; oferta de alimentos diferenciados e ter a possibilidade de migrar para um regime de prisão domiciliar. Conclusão: nenhuma das mulheres é primípara, logo mais do que se tornar progenitora, acredita-se que o desejo por gestar advém da ilusão de adquirir um maior nível de proteção individual no ambiente carcerário. Nesse certame, compete aos profissionais de saúde resguardar bem mais do que a saúde reprodutora da mulher, a fortalecendo nos seus aspectos psicoemocionais a partir das orientações de saúde durante as consultas de enfermagem.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
DE SALDANHA, L.; CAROLINE DA SILVA PEDROSO, A.; REGINA DA COSTA E SILVA TARRAGO, N.; BRACINI ESPADIM, J.; SILVEIRA CARDOSO, L. O DESEJO DE GESTAR DE MULHERES EM SITUAÇÃO DE PRIVAÇÃO DE LIBERDADE. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.