A MANIPULAÇÃO DO SISTEMA DOPAMINÉRGICO MODULA A EXTINÇÃO DA MEMÓRIA AVERSIVA

  • Steffanie Picua
  • Luiza Freitas Lopes
  • Pamela Mello Carpes
  • Karine Ramires Lima
  • Niége Alves
Rótulo Memória, aversiva, Extinção, memória, Sistema, dopaminérgico, Neurobiologia

Resumo

Introdução: Um evento traumático é capaz de desencadear a formação de uma memória aversiva. Em um estudo prévio observamos que a extinção dessa memória é facilitada pelo aumento dos níveis de dopamina no hipocampo. Tendo em vista que a área tegmental ventral (ATV) representa a principal aferência dopaminérgica hipocampal, supomos que a modulação desta região pode influenciar a extinção da memória aversiva. Objetivo: Avaliar o efeito da modulação da atividade da ATV na extinção da memória aversiva. Métodos: Foram utilizados 36 ratos Wistar machos adultos para as etapas: comportamental (n=24) e bioquímica (n=12). Para a primeira etapa os animais foram submetidos à cirurgia estereotáxica para colocação de cânulas na ATV (AP:-4,8mm; LL:±1,0mm; DV:-9,0mm). Para testar a memória aversiva foi utilizado o aparato esquiva inibitória (EI), uma caixa com assoalho de barras eletrificáveis e uma plataforma lateral. No dia 1 os animais foram treinados na EI: foram colocados na plataforma, e, ao descer, receberam um estímulo elétrico de 0,7mA, 2s. No dia 2 os animais passaram por 3 sessões de extinção com intervalos de 90min. entre elas, neste dia não receberam nenhum estímulo elétrico e puderam explorar o ambiente durante 30s; 30min. antes, foi realizada infusão na ATV de salina, NMDA (agonista glutamatérgico; 0,1µg/1µL//lado) ou muscimol (agonista gabaérgico; 0,1µg/1µL/lado). No dia 3 realizou-se o teste de retenção da memória aversiva, onde contabilizou-se a latência de descida da plataforma. Testes de persistência da memória foram realizados até 21 dias após as sessões de extinção. Na etapa bioquímica verificamos os níveis de dopamina no hipocampo após a infusão dos fármacos por cromatografia líquida de alta eficiência. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais da Unipampa (protocolo 018/2017). Utilizou-se o teste de Wilcoxon para comparação das latências intragrupo (treino x teste). Para os níveis de dopamina utilizamos Kruskal-Wallis seguido porpost-hoc de Dunn. Considerou-se significativo P ≤ 0,05. Resultados: No teste de retenção a latência de descida dos grupos controle e muscimol foi significativamente mais alta do que a do treino (P = 0.0039; P = 0.0078, respectivamente), portanto, somente o protocolo de extinção não é capaz de promover a extinção; a ação inibitória do muscimol sob a ATV resulta no mesmo efeito. Entretanto, quando infundidos com NMDA, a latência de descida se assemelha com a do treino (P = 0.0938), desta forma, a estimulação dopaminérgica através da ação excitatória do NMDA nesta região auxilia a extinção da memória aversiva, com efeitos persistentes por pelo menos 21 dias (P = 0.9844). Ainda, a infusão de NMDA eleva os níveis de dopamina no hipocampo, quando comparado com os grupos controle (P = 0.0003) e muscimol (P = 0.0186). Conclusão: A manipulação farmacológica na ATV modula a extinção da memória aversiva, de forma que sua estimulação facilita a extinção ao promover liberação de dopamina no hipocampo.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
PICUA, S.; FREITAS LOPES, L.; MELLO CARPES, P.; RAMIRES LIMA, K.; ALVES, N. A MANIPULAÇÃO DO SISTEMA DOPAMINÉRGICO MODULA A EXTINÇÃO DA MEMÓRIA AVERSIVA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.