A REATIVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA PARA PROMOÇÃO DA PERSISTÊNCIA DA EXTINÇÃO DA MEMÓRIA AVERSIVA

  • Karolina Lopes
  • Liane da Silva de Vargas
  • Pâmela Billig Mello Carpes
Rótulo memória, aversiva, extinção, reativação

Resumo

Introdução: A extinção de memória tem sido usada na terapia comportamental para tratar os transtornos de estresse pós-traumático. Recentemente, foi demonstrado que a reativação da memória original antes da extinção facilita esse processo. Porém, a extinção da memória aversiva por si só costuma ter um tempo de duração curto, assim, é importante desenvolver estratégias a fim de modular esse processo, melhorando sua persistência. O presente estudo teve como objetivo investigar o papel da reativação da memória aversiva na consolidação e persistência da memória de extinção. Materiais e métodos: Trata-se de um estudo piloto, onde foram utilizados 16 ratos Wistar machos adultos, distribuídos em dois grupos (n=8/grupo): controle e experimental. Ambos os grupos passaram por um treino na tarefa de esquiva inibitória (dia 1), realizada em um aparato que consiste em uma caixa de madeira com dimensões de 60 x 40 x 50 cm (comprimento x profundidade x altura) com a parede frontal de vidro transparente, com o assoalho da caixa dividido em 12 quadrantes com igual área de superfície. No treino, após descer da plataforma e colocar as quatro patas nas grades eletrificadas, os animais receberam um estímulo elétrico de 0,8 mA por 2 segundos, sendo imediatamente recolocados na sua caixa-moradia. 24 horas após (dia 2), os animais foram submetidos à três sessões de extinção da memória, com intervalos de 90 minutos cada. Nestas sessões os animais foram colocados novamente na plataforma e quando desceram puderam explorar a esquiva inibitória livremente por 30 segundos sem nenhum estímulo elétrico. Os animais do grupo experimental, 10 minutos antes da primeira sessão de extinção, passaram pela reativação da memória aversiva, quando foram expostos novamente ao estímulo elétrico nas mesmas condições do dia do treino. 48h, 7, 14 e 21 dias após o treino na EI os animais foram submetidos a testes de retenção da memória, a fim de avaliar a consolidação da memória de extinção e sua persistência. Este trabalho foi aprovado pelo CEUA/UNIPAMPA (protocolo 027/2013). Resultados: No teste de 48h observamos que o grupo controle apresentou latência de descida da plataforma alta quando comparada ao dia do treino (P=0,03), demonstrando a presença da memória aversiva, a qual não se manteve ao longo dos dias (P= 0,5; 0,5; 0,7 em 7, 14 e 21 dias, respectivamente). Em contrapartida, no teste de 48h o grupo experimental apresentou latência similar ao dia do treino (P=0,2), demonstrando que houve a extinção da memória aversiva, e essa extinção persistiu nos testes de 7 (P=0,5), 14 (P=0,8) e 21 dias (P=0,2). Conclusão: Com base nos resultados obtidos, pode-se concluir que a reativação contribui para a eficácia de um protocolo de extinção da memória aversiva, promovendo sua consolidação e persistência.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
LOPES, K.; DA SILVA DE VARGAS, L.; BILLIG MELLO CARPES, P. A REATIVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA PARA PROMOÇÃO DA PERSISTÊNCIA DA EXTINÇÃO DA MEMÓRIA AVERSIVA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.