TOXICIDADE DO BOLDO GAMBÁ (PLECTRANTHUS NEOCHILUS) EM MODELOS BIOLÓGICOS

  • Bruna Ramborger
  • Maria Elizabeth Gomes Paz
  • Ketelin Monique Cavalheiro
  • Jefferson Enderle
  • Elton Luis Gasparoto Denardin
  • Rafael Roehrs
  • Jefferson de Jesus Soares
Rótulo Screening, fitoquímico, Allium, cepa, Drosophila, melanogaster, Citotoxicidade, Planta, medicinal

Resumo

Introdução: A utilização de plantas medicinais é uma alternativa viável pela população no tratamento de doenças e sintomas ou para a manutenção da saúde (PINTO, AMOROZO e FURLAN, 2006). O chá de uma planta vastamente utilizada na medicina popular para problemas de estômago e de fígado é a Plectranthus neochilus, ou, popularmente, boldo gambá (COUTO, 2006). Muito se sabe sobre o uso popular do boldo gambá, porém, não há referências que relacionam a toxicidade desta planta. Para essas análises toxicológicas e farmacológicas de plantas medicinais, tem-se buscado por modelos alternativos (in silico, in vitro, ex vivo ou in vivo) devido às restrições dos comitês de ética animal (CAZEDEY et al., 2009). Objetivo(s): Verificar os efeitos toxicológicos do extrato aquoso das folhas do chá de P. neochilus em diferentes modelos biológicos. Material e métodos: Foi realizado o screening fitoquímico das folhas da planta para: alcaloides, flavonóides, taninos, glicosídeos, saponinas, fenóis, cumarinas e terpenóides. Após, foi verificado a toxicidade de três concentrações do chá das folhas (24, 48 e 72 g/L), em água destilada, nos modelos biológicos de Allium cepa (BEZERRA, DINELLY e OLIVEIRA 2016) e Drosophila melanogaster (DM) (SOARES et al., 2017). Nas análises in vitro de A. cepa foi observado toxicidade, citotoxicidade e genotoxidade através do crescimento das raízes, número de mitoses e fases da mitose para cada raiz nos seguintes grupos: Controle negativo (CN) - água; Controle positivo (CP) - glifosato 5% e Tratamentos - chás (T1 - 24 g/L, T2 - 48 g/L e T3 -72 g/L). Já para a DM observou-se a sobrevivência das mesmas durante 5 dias nos seguintes grupos: controle (solução de sacarose e leite em pó 1%); Tratamento 1, 2 e 3 (chá nas três concentrações + solução sacarose e leite em pó 1%). Todos os testes foram feitos em triplicata. Resultados e discussão: O screeening fitoquímico apresentou resultado positivo para alcaloides, taninos, glicosídeos, saponinas, fenóis e terpenóides. Todas as concentrações apresentaram toxicidade e citotoxicidade nas raízes de A. cepa, pois apresentaram diferença significativa ao CN e não significativa em relação ao CP. Porém, nenhuma concentração foi genotóxica neste modelo experimental. Nas DM apenas as concentrações de 48 g/L e 72 g/L foram tóxicas. Estes resultados de toxicidade nestes modelos biológicos está atrelada à presença e/ou quantidae de metabólitos tóxicos nas classes identificadas (CAMPOS et al., 2016). Conclusão: O chá do boldo gambá apresentou toxicidade nos modelos biológicos e esse resultado pode estar diretamente relacionado à sua composição química. Portanto, embora ele seja altamente utilizado pela população, este trabalho mostrou que o mesmo deve ser ingerido com cautela, ou, em baixas concentrações, uma vez que o estudo utilizou concentrações iguais e superiores às usadas pela população. Estudos futuros serão realizados para identificar os compostos presentes em cada classe de metabólitos.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
RAMBORGER, B.; ELIZABETH GOMES PAZ, M.; MONIQUE CAVALHEIRO, K.; ENDERLE, J.; LUIS GASPAROTO DENARDIN, E.; ROEHRS, R.; DE JESUS SOARES, J. TOXICIDADE DO BOLDO GAMBÁ (PLECTRANTHUS NEOCHILUS) EM MODELOS BIOLÓGICOS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.