ESPÉCIE NOVA DO GÊNERO AMANITA PERS. (BASIDIOMYCOTA) ASSOCIADA À EUCALYPTUS SPP. NO BIOMA PAMPA BRASILEIRO

  • Marines Heberle
  • Ana Luiza Klotz
  • Flavia Helena Aires Sousa
  • Jorge Renato Pinheiro Velloso
  • Jair Putzke
Rótulo fungo, eucalipto, micorriza

Resumo

O gênero Amanita (Amanitaceae R. Heim ex Pouzar, Agaricales Underw., Basidiomycota, Fungi) foi estabelecido por Persoon em 1797 e inclui aproximadamente 500 espécies encontradas em quase todo o mundo. O registro mais antigo do gênero Amanita no Brasil data de 1906, e foi relatado por Rick que descreveu Amanita spissa Fr. var. laeta Rick para o Rio Grande do Sul. Os cogumelos pertencentes a este gênero vivem em associações mutualísticas com raízes de plantas, por isso são chamados micorrízicos. Essa é uma associação simbiótica e acredita-se que esteja presente em cerca de 2% do total das espécies já conhecidas. Dentre os tipos de micorrizas, as micorrizas arbusculares e as ectomicorrizas são as de maior importância econômica. As Amanitas se encontram no grupo das ectomicorrizas, e são conhecidas por estarem associadas a matas de Pinus. Estes fungos são de grande importância nos ecossistemas por sua associação com plantas auxiliando na absorção de nutrientes, água e também na proteção da planta simbionte quanto a patógenos e estresses bióticos e abióticos. Nos ecossistemas florestais as ectomicorrizas tem grande atuação nos ciclos biogeoquímicos, na manutenção do solo e nas dinâmicas das comunidades. No Rio Grande do Sul é grande o número de plantações de Eucalyptus spp. e apenas duas espécies de Amanita são citadas como sendo micorrízicas de eucaliptos: Amanita muscaria var. flavivolvata Singer e Amanita aliena Wartchow & Cortez. Com isso nota-se a importância de estudar esses organismos, conhecendo a sua diversidade, visto que ainda há muito a se aprender sobre este gênero. Assim, o presente trabalho teve como objetivo realizar um estudo a cerca de uma espécie do gênero Amanita encontrada na região do bioma Pampa, a fim de contribuir para o conhecimento da diversidade deste gênero nesta região, associadas com os cultivos econômicos de Eucalyptus. Os espécimes foram coletados na trilha ecológica no campus da Universidade Federal do Pampa em São Gabriel-RS, trilha esta em mata de eucaliptos com regeneração de mata nativa, abrangendo uma área de 800m2. O material coletado foi identificado macro e microscopicamente com auxílio de chave dicotômica e após desidratado em estufa a 40°C para armazenamento. A identificação confirmou que se trata de um espécime do gênero Amanita, porém não foi possível a confirmação de espécie pelo material não se enquadrar em chave alguma quanto à forma e cor do estipe sendo bulboso e branco, píleo de cor branca passando a ocráceo no centro quando maduro e ficando rosado quando machucado e escamas brancas. O fato dessa espécie ocorrer junto à mata de Eucalyptos spp. pode ser ocasional, porém não há nenhum indivíduo de Pinus na mata citada, nem mesmo próximo a ela. A ocorrência de espécies relacionadas com o cultivo de eucaliptos na região colabora com o êxito deste cultivo que vem crescendo ano após ano. Com isso, conclui-se que o material descrito no presente trabalho trata-se de uma espécie nova para o gênero.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
HEBERLE, M.; LUIZA KLOTZ, A.; HELENA AIRES SOUSA, F.; RENATO PINHEIRO VELLOSO, J.; PUTZKE, J. ESPÉCIE NOVA DO GÊNERO AMANITA PERS. (BASIDIOMYCOTA) ASSOCIADA À EUCALYPTUS SPP. NO BIOMA PAMPA BRASILEIRO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.