AMANITA MUSCARIA VAR. MUSCARIA (L.) LAM COMO MICORRIZA EM EUCALYPTUS SPP. NO PAMPA BRASILEIRO

  • Flavia Sousa
  • Jorge Renato Pinheiro Velloso
  • Bruno Cardoso Conrad
  • Jair Putzke
  • Marines de Avila Heberle
Rótulo fungos, eucalipto, ectomicorriza

Resumo

Pouco se conhece sobre associações entre fungos e plantas arbóreas, porém sabe-se que os benefícios causados por essa interação são de extrema importância para ambos os organismos. Nessa situação, o fungo irá auxiliar a planta na absorção de nutrientes e de água, enquanto a árvore irá fornecer carboidratos essenciais para o desenvolvimento do mesmo. A diversidade de plantas simbiontes é muito baixa, em contrapartida o número de fungos ectomicorrízicos é bem mais abundante, sendo a Amanita muscaria (L.: Fr.) um dos fungos mais peculiares entre os encontrados em plantações de Pinus. Sua ocorrência nessas plantações é muito comum, tornando-a muito promissora para cultivo no sul do Brasil, já que a relação micorrízica é obrigatória. Para Eucalyptus spp. somente duas espécies são citadas para o Rio Grande do Sul: A. muscaria var. flavivolvata Singer e Amanita aliena Wartchow & Cortez. A distinção entre A. muscaria var. flavivolvata Singer e A. muscaria var. muscaria (L.) Lam. se dá pela presença de elementos do véu e da volva amarelados no primeiro caso, sendo que a variedade muscaria apresenta estas estruturas na cor branca. O presente trabalho irá relatar a primeira ocorrência da A. muscaria var. muscaria (L.) Lam. como micorriza no sul do Brasil. Foram realizados monitoramento e coletas durante a primeira quinzena de agosto de 2019 no eucaliptal na trilha da Unipampa, campus São Gabriel, bioma Pampa, Rio Grande do Sul, Brasil. A mata é composta por plantio de eucaliptos com regeneração de nativas em estágio inicial que abrange uma área de 800m². O material coletado foi identificado macro e micromorfologicamente com o auxílio de chave dicotômica e após, desidratado em estufa a 40ºC. O monitoramento resultou em 23 indivíduos da variedade muscaria associados a essas árvores, apresentando espécimes imaturos e espécimes maduros. A ocorrência destes organismos relacionados à Eucalyptus spp. pode ser ocasional, porém não existe nenhum indivíduo de Pinus na mata citada. O papel dessas ectomicorrizas está relacionado à recuperação de áreas impactadas ambientalmente, quadro este do bioma Pampa que possui grande abundância de solos arenosos e isso ocasiona alta vulnerabilidade à ação antrópica. Desse modo, a A. muscaria var. muscaria (L.) Lam. pode atuar na melhor absorção de nutrientes necessários para a planta. Além desta espécie foi encontrada no local Laccaria fraterna Cooke & Mass associada como micorrízica. A relevância desse trabalho se dá, além da diversidade de outro táxon relacionado a essa associação, a possibilidade de futuros estudos sobre os potenciais de aplicação de inóculo desta espécie em todos os plantios de eucalipto no Brasil, em especial no bioma Pampa. Isto no sentido de acelerar o crescimento e desenvolvimento desta importante essência florestal, o que é conferido por esta associação micorrízica.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
SOUSA, F.; RENATO PINHEIRO VELLOSO, J.; CARDOSO CONRAD, B.; PUTZKE, J.; DE AVILA HEBERLE, M. AMANITA MUSCARIA VAR. MUSCARIA (L.) LAM COMO MICORRIZA EM EUCALYPTUS SPP. NO PAMPA BRASILEIRO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.