CONSUMIDORES DE QUEIJO COLONIAL EM FEIRAS DE SANTA MARIA/RS: MOTIVAÇÕES PARA AQUISIÇÃO

  • Valéria Braccini
  • Thiane Helena Bastos
  • Artenio Bernardo
  • Regis Trentin Piovesan
  • Janaina Balk Brandao
Rótulo sabor, falta, selo, inspeção, agricultura, familiar

Resumo

A crise dos sistemas alimentares está relacionada às questões econômicas e a qualidade dos alimentos não estão mais vinculadas às superestruturas a exemplo das recorrentes contaminações de alimentos (G1, 2017). O sistema convencional de produção em larga escala é questionado, disseminando desconfiança sobre riscos alimentares e processos empregados. Em contrapartida, a produção de alimentos artesanais, ocorre em escalas menores e a comercialização em sistemas locais onde relações de confiança entre produtores e consumidores são usadas para legitimar a qualidade (CRUZ E SCHNEIDER, 2010). Neste contexto, as feiras coloniais representam o canal de comercialização dos produtos artesanais provenientes da agricultura familiar. Nesta perspectiva, a presente pesquisa identifica a preferência e a importância da inspeção sanitária para consumidores de queijo colonial em três feiras de Santa Maria/RS, e busca apresentar novas abordagens para enfrentamento dos desafios do sistema agroalimentar quanto à legitimação de alimentos artesanais. Para isso, em 2018 foram realizadas 30 entrevistas semi-estruturadas visando reunir informações sobre o consumo e grau de satisfação dos consumidores de queijo colonial. Os dados coletados foram analisados no Statistical Package for the Social Sciences. Constatou-se que 66,67% dos entrevistados consideram importante que queijos coloniais sejam inspecionados. Oliveira (2014) considera que informações sobre composição e a rotulagem dos alimentos, auxiliam o consumidor na seleção dos alimentos quanto à informação nutricional e prevenção de doenças. No Brasil, a Portaria nº 146/1996 aprova Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade dos Produtos Lácteos, tornando obrigatória a identidade e critérios sanitários que garantam a qualidade dos queijos para comercialização. Dos consumidores que preferem o queijo colonial, 56,6% justificaram a escolha devido ao sabor, 16,7% por ser nutritivo e 13,3% por ser saudável. Tal preferência pode estar relacionada à dimensão afetiva do consumidor, o que à revelia da comercialização dos produtos padronizados, é indicativo de resistência (DORIGON E RENK, 2011). Os dados encontrados corroboram com os resultados de Brandão et al., (2015), de que os escândalos na cadeia leiteira desde 2013, orientaram as preferências pelo mercado informal. Percebe-se uma dualidade, de um lado, as exigências legais e questões de saúde pública, de outro, a valorização do produto pelo consumidor e a necessidade de inserção em mercados por parte agricultores familiares. Considera-se mister discutir políticas de qualificação dos produtos adequadas à realidade dos produtores, garantindo a inocuidade dos alimentos e preservando as características singulares do mercado informal. Neste sentido, uma alternativa apresentada no recente cenário é o Selo Arte, cuja proposta é permitir o acesso ao mercado interestadual de produtos alimentícios artesanais, garantindo as características dos métodos tradicionais.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
BRACCINI, V.; HELENA BASTOS, T.; BERNARDO, A.; TRENTIN PIOVESAN, R.; BALK BRANDAO, J. CONSUMIDORES DE QUEIJO COLONIAL EM FEIRAS DE SANTA MARIA/RS: MOTIVAÇÕES PARA AQUISIÇÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.