BRANQUEAMENTO DO ÓLEO DE ARROZ COM CARVÃO ATIVADO DE BAGAÇO DE CANA-DE-AÇÚCAR.

  • Ana Chiaretto
  • Ana Paula Chiaretto
  • Franciele Rossato Ferreira
  • Candice Soares Dias
  • Valeria Terra Crexi
  • Marcílio Machado Morais
Rótulo Óleo, farelo, arroz, adsorvente, subproduto, industrial

Resumo

O Brasil está entre os maiores produtores mundiais de arroz e gera uma quantidade superior a 11 milhões de subprodutos anualmente. Dentre estes subprodutos está o farelo de arroz que é rico nutricionalmente e tem grande potencial a ser explorado para produção de óleo comestível. O óleo de arroz (Oryza sativa) possui uma fração insaponificável ausente em outros óleos que apresenta antioxidantes naturais como ɣ-orizanol conferindo-lhe alto valor comercial. O refino do óleo compreende as etapas de degomagem, neutralização, branqueamento, deceramento e desodorização. A etapa de branqueamento é uma operação unitária de adsorção que tem por objetivo remover compostos indesejáveis, como pigmentos, produtos de oxidação (peróxidos, aldeídos e cetonas) e ácidos graxos livres que promovem a oxidação do óleo. O carvão ativado de cana-de-açúcar é um adsorvente não convencional com grande potencial para ser utilizado como material de adsorção, por ser uma fonte mais econômica e ambientalmente mais limpa, já que é produzido a partir de um resíduo da indústria açucareira, o bagaço da cana-de-açúcar. O objetivo deste trabalho foi realizar a etapa de branqueamento do óleo utilizando o bagaço de cana-de-açúcar como adsorvente, possibilitando uma alternativa à destinação deste resíduo industrial. O óleo degomado de arroz foi adquirido de uma indústria de óleos no município de Pelotas/RS. A neutralização do óleo degomado foi realizada com uma solução aquosa de NaOH 20% p/p (quantidade estequiométrica necessária para neutralizar os ácidos graxos livres presentes no óleo mais a quantidade de 20% excesso em relação à acidez livre), sob vácuo de 500 mmHg, agitação de 500 rpm e temperatura de 60 ºC durante 40 minutos. O branqueamento foi realizado com carvão ativado de bagaço de cana-de-açúcar na concentração de 1% p/p em relação a massa de óleo, sob vácuo de 500 mmHg, agitação de 40 rpm e temperatura de 90 ºC por 30 minutos. Foram realizadas análises de Acidez Livre, Índice de Peróxido, Cor e teor de ɣ -orizanol para caracterização e comparação do óleo branqueado com o neutralizado. Os resultados para Acidez Livre foram de 1,09% ± 0,01 e de 0,69% ± 0,02 para o óleo neutralizado e o óleo branqueado, respectivamente, representando uma redução de 36% de ácidos graxos livres no óleo branqueado. Com relação ao Índice de Peróxido os resultados foram de 10,9 meq/Kg ± 0,1 e 11,32 meq/Kg ± 0,5 para o óleo neutralizado e o óleo branqueado, respectivamente. A análise de Cor foi de 16V e 66A para o óleo neutralizado e 9V e 70A para o branqueado, evidenciando uma cor mais clara, com o aumento do amarelo, em função da retirada de compostos que dão a coloração no óleo. O teor de ɣ-orizanol passou de 0,94% do neutralizado para 0,77% no branqueado. A utilização do carvão ativado de bagaço de cana-de-açúcar se mostrou favorável, necessitando, no entanto, de mais testes para aperfeiçoamento da técnica.

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Publicado
2020-08-28
Como Citar
CHIARETTO, A.; PAULA CHIARETTO, A.; ROSSATO FERREIRA, F.; SOARES DIAS, C.; TERRA CREXI, V.; MACHADO MORAIS, M. BRANQUEAMENTO DO ÓLEO DE ARROZ COM CARVÃO ATIVADO DE BAGAÇO DE CANA-DE-AÇÚCAR. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 28 ago. 2020.