ASSALTO AO TURNO DE FALA: GÊNERO E HIERARQUIAS EM UMA COMUNIDADE DE PRÁTICA EM BAGÉ
Palavras-chave:
Assalto, ao, turno, fala, Questões, gênero, Comunidades, práticaResumo
Esse trabalho apresenta uma análise sociolinguística acerca dos assaltos ao turno de fala em uma comunidade de prática (ECKERT, 2010) situada na cidade de Bagé-RS. Pretende-se, portanto, verificar a relação entre assaltos ao turno e questões de gênero e de hierarquias no interior dessa comunidade de prática. Como metodologia, e uma vez que se trata de uma pesquisa de cunho etnográfico, foram realizadas observações participantes em uma comunidade de prática que se caracteriza como uma organização internacional que desenvolve projetos em benefício à comunidade carente local. Dessa forma, foram observadas e gravadas em áudio nove reuniões dessa comunidade, e, além disso, foi desenvolvido um diário de campo. Ainda, com a intenção de estabelecer um perfil dos participantes da comunidade, foi aplicado um questionário online. Foram, também, elaborados critérios operacionais tanto para identificar os assaltos ao turno quanto para analisá-los. Dessa forma, nessa pesquisa, foi interpretada como assalto ao turno toda e qualquer interferência feita fora de um lugar relevante de transição (GALEMBECK; COSTA, 2009) e foi observado: quem estava falando e quem assaltou seu turno, o que era dito antes e depois do assalto, quanto tempo de fala a pessoa teve até ter seu turno assaltado e quais as suas reações. A partir da análise dos assaltos ao turno de fala identificados, percebe-se uma dominância masculina no que se refere às identidades de gênero daqueles que assaltaram os turnos de fala, bem como a análise dos tópicos conversacionais demonstra a presença de uma possível competitividade masculina. Ao serem analisados os cargos dos participantes, foi possível perceber que, entre homens, quanto mais alto o cargo, mais tempo de fala este tinha até ter seu turno assaltado (185 segundos), enquanto quanto mais baixo o cargo daquele que fala, menos tempo de fala este tinha até ter seu turno assaltado (0 segundos). Já nos assaltos realizados por homens e sofridos por mulheres, fica evidente que nenhuma mulher teve mais do que 30 segundos de fala, porém esses números não parecem estabelecer uma relação hierárquica, uma vez que a única mulher com cargo diretivo teve apenas sete segundos de fala. Em relação às reações dos participantes, pôde-se identificar que os participantes do gênero masculino tendiam tanto a retomar o turno quanto a abandoná-lo, o que reafirma a ideia de dominância e competitividade masculina, enquanto todas as participantes do gênero feminino retomaram seus turnos de fala após terem tido estes assaltados por homens, demonstrando, assim, resistência a uma possível tentativa de silenciamento ao gênero feminino no interior dessa comunidade de prática. Concluindo, esses resultados apontam tanto para assaltos motivados pelas identidades de gênero dos participantes quanto para as relações hierárquicas estabelecidas. Além disso, os resultados também parecem apontar para uma relação entre estilos conversacionais e questões de gênero nessa comunidade.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ASSALTO AO TURNO DE FALA: GÊNERO E HIERARQUIAS EM UMA COMUNIDADE DE PRÁTICA EM BAGÉ. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101594. Acesso em: 14 maio. 2026.