A LUTA PELA MANUTENÇÃO DA ESCOLA DO CAMPO SEMENTE LIBERTÁRIA
Palavras-chave:
Educação, Assentamentos, Escola, CampoResumo
Este texto analisa o histórico das lutas para manter a Escola do Campo Semente Libertária (SL) localizada no assentamento Madre Terra (MT), no município de São Gabriel/RS. Município que está localizado na região da campanha do estado do Rio Grande do Sul e possui propriedades rurais com grandes extensões de terras. Este contexto originou uma sociedade pouco tolerante a política de reforma agrária, devido esses fatores, São Gabriel foi um dos últimos municípios do estado a receber assentados do Movimento dos trabalhadores Sem Terra (MST). O assassinato do assentado Elton Brum, com um tiro à queima roupa proferido por um policial militar na manhã do dia 21 de agosto de 2009 reflete este contexto. Esta pesquisa possui caráter qualitativo, utilizando-se de análise documental e bibliográfica. A Escola do Campo Semente Libertária, está situada a 80 km da sede do município e foi conquista histórica de uma região em que os assentamentos de reforma agrária trouxeram outra dinâmica social para a região. Das muitas lutas que os assentados do Madre Terra tiveram que enfrentar, as mais recentes, ocorreram nos anos de 2017 e 2018. No início de 2017, a Semente Libertária não iniciaria seu ano letivo, pois a direção alegou a falta de elementos básicos. Mas, a verdade, era que o fechamento da SL foi uma política de sua direção. Para garantir a manutenção da SL, a comunidade do assentamento Madre Terra e representantes de movimentos sociais e sindicais realizaram um ato em frente ao Ministério Público Estadual no município de Santa Maria, onde conseguiram uma audiência com a promotora e fizeram um relato sobre a situação, alegando que não haveria como as crianças do assentamento frequentar outra escola que não a Semente Libertária. Após isso, os assentados conseguiram uma reunião com a 19a Coordenadoria Regional de Educação no Madre Terra, como ficaram sem nenhuma definição, a comunidade do MT acabou por se deslocar até a sede da 19a CRE para exigir a manutenção da escola. Em novembro do ano de 2017, o município de São Gabriel rompeu o convênio com o estado alegando que seria impossível gerir o transporte escolar para as escolas estaduais no município. No início de 2018 a comunidade do Madre Terra, ficou sabendo uma semana antes do ano letivo iniciar, que o estado não abriu uma nova licitação para garantir o transporte escolar, sendo assim, a comunidade entrou com uma ação no Ministério Público, onde foram atendidos imediatamente, garantindo assim o início de mais um ano letivo na SL . Cabe ressaltar que aqui se faz a defesa de uma escola que atenda às especificidades das famílias localizadas no campo. Parte desse processo provém da negação de produção cultural, política e social, sofrendo influência de contextos conservadores que persistem em entender as comunidades do campo como locais em que a Educação não é direito. Mais uma vez, as assentadas e assentados do Madre Terra, provaram que os direitos dos moradores do campo estão ainda longe de serem garantidos.Downloads
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Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A LUTA PELA MANUTENÇÃO DA ESCOLA DO CAMPO SEMENTE LIBERTÁRIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101483. Acesso em: 3 maio. 2026.