INTERSECCIONALIDADES E EDUCAÇÃO: JUVENTUDE E MARCADORES SOCIAIS DA DIFERENÇA EM DOM PEDRITO
Palavras-chave:
Alteridade, Diferença, Interseccionalidades, Processos, educativos, SocializaçãoResumo
Este trabalho visa apresentar os dados preliminares de execução do projeto Marcadores da diferença, interseccionalidades e a produção de alteridades nos processos educativos e de socialização, na cidade de Dom Pedrito. Trata-se de uma proposta de investigação, fomentada pelo Edital de Apoio aos Grupos de Pesquisa da UNIPAMPA, ligada ao grupo de pesquisa Tuna Gênero, educação e diferença, composto por docentes, TAE e estudantes (de graduação e pós-graduação) vinculados aos campi de Uruguaiana e Dom Pedrito, da Universidade Federal do Pampa. O objetivo do projeto é compreender como as convenções sociais relativas aos marcadores sociais da diferença (em especial os de gênero, sexualidade, raça/etnia e desigualdades socioeconômicas) são constituídas, incorporadas e reproduzidas nos processos educativos e de socialização de modo a identificar a produção de alteridades e de desigualdades no contexto uruguaianense e pedritense. Parte-se da preocupação de que os direitos sociais, conquistados no processo de redemocratização do Estado brasileiro, estão tornando-se enfraquecidos, na última década, caracterizando o que Boaventura de Souza Santos (2007; 2016) denomina de facismo Social. Para compreender a dinâmica da interseccionalidade entre os marcadores sociais da diferença, em Dom Pedrito, utilizamo-nos do método etnográfico e da técnica da observação participante. O registro das observações tem sido realizado por meio de diário de campo, sendo a análise pautada na antropologia interpretativa (GEERTZ, 1989). Para além de espaços escolares, privilegiamos encontros de jovens, na faixa etária de 15 a 17 anos, viabilizados por ações de extensão desenvolvidas por nosso grupo de pesquisa no bairro São Gregório, bairro de periferia, onde está localizado o campus da UNIPAMPA. Destaque-se que tanto Uruguaiana, quanto Dom Pedrito, são cidades fronteiriças, com uma história marcada pela desigualdade de classe e valores patriarcais. No contexto pedritense pesquisado, são corriqueiras as brigas de grupos rivais e crimes contra a vida, cometidos especialmente por jovens. Há um predomínio da masculinidade viril e violenta. Outro dado presente é o alto índice de suicídio, o qual aparece em municípios pequenos, de caracterização rural, como uma prática ligada à honra e à produção da masculinidade, uma vez que a maior parte das pessoas que cometem suicídio são homens. Não é possível afirmar as motivações de tais práticas no contexto pedritense, de forma que as discussões aqui postas, sobre suicídios, estão apoiadas na literatura, compondo uma parte importante das reflexões preliminares, suscitadas pelo projeto. Por fim, destaca-se o espaço da rua como lugar de sociabilidade mais procurado entre os jovens, sendo a escola um elo que estrutura as relações. Nestes espaços, vislumbra-se ainda um movimento de ruptura com valores patriarcais, que tradicionalmente compunham as moralidades do interior gaúcho.Downloads
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Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
INTERSECCIONALIDADES E EDUCAÇÃO: JUVENTUDE E MARCADORES SOCIAIS DA DIFERENÇA EM DOM PEDRITO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101469. Acesso em: 14 maio. 2026.