A POLÍTICA EXTERNA DO GOVERNO BOLSONARO: RUPTURA, IMPREVISIBILIDADE E INCOERÊNCIA (2019)

Autores

  • Isabella Ortega
  • Kamilla Raquel Rizzi

Palavras-chave:

Governo, Bolsonaro, política, externa, brasileira, ruptura

Resumo

Em 1º de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro (PSL) assumiu a Presidência do Brasil. A orientação radical de seu governo, baseada em uma ideologia de ultradireita, refletiu-se em todas as áreas do Estado; notável exemplo é a da política externa brasileira, uma das áreas mais bem organizadas, estáveis, previsíveis e respeitadas do Estado brasileiro - e que assiste, atualmente, ao seu contínuo descarrilamento. Desta forma, objetiva-se identificar as mudanças na política externa brasileira no governo Bolsonaro. O problema de pesquisa refere-se a como a ideologia de ultradireita de seu governo impacta na formulação e implementação da política externa brasileira. Neste sentido, a hipótese levantada sugere que o governo tem empreendido retrocessos na política externa do Brasil, uma vez que sua conduta diplomática tem se distanciado do padrão histórico de ação externa brasileira e não demonstra possuir nenhum direcionamento concreto. Metodologicamente, optou-se pela abordagem qualitativa. A pesquisa assume caráter descritivo e explicativo. Foram feitas pesquisas bibliográficas, bem como utilizou-se a análise de discurso e de fontes de imprensa digital. A política externa de Bolsonaro, que ignora as linhas de ação tradicionais conhecidas como Acumulado Histórico (CERVO, 2008) e é marcada por dissensos internos, se caracteriza pela ruptura, imprevisibilidade e incoerência. O governo Bolsonaro rompeu - de maneira inédita - com princípios consagrados da agenda externa do país. Bolsonaro não realizou a tradicional viagem inaugural de mandato à Argentina; nos primeiros 100 dias de seu governo, privilegiou visitas aos EUA, Chile e Israel. O alinhamento acrítico do governo aos EUA é sem precedentes - segundo Freixo (2019), maior até do que o transcorrido no governo Eurico Dutra. O apoio incondicional aos EUA refletiu-se, também, na aproximação com Israel. Tal alinhamento ostensivo aos EUA, a Israel e a outros governos conservadores denota não apenas a quebra com valores básicos - pragmatismo, busca pela autonomia e zelo pelo interesse nacional -, mas demonstra, também, que o único parâmetro do governo para eleger seus aliados é a identificação ideológica, posto que Israel, do ponto de vista econômico, agrega muito menos do que os países árabes - maiores clientes dos exportadores de carne brasileiros. É representativa dessa ruptura, ainda, a marginalização das relações com a China, perdendo-se a priorização de parcerias estratégicas. Com a ascensão do chanceler Ernesto Araújo, houve desrespeito à tradição hierárquica do Itamaraty. A ruptura da política externa de Bolsonaro em relação à postura anterior do Brasil no mundo torna-a imprevisível e incoerente. A previsibilidade da política exterior do Brasil constituía-se como um dos grandes patrimônios do Estado brasileiro. No atual governo, entretanto, tal previsibilidade tem se tornado nula, uma vez que as decisões de Brasília são, frequentemente, produtos de disputas internas entre forças políticas governamentais.

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Publicado

2020-03-30

Como Citar

A POLÍTICA EXTERNA DO GOVERNO BOLSONARO: RUPTURA, IMPREVISIBILIDADE E INCOERÊNCIA (2019). Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101455. Acesso em: 3 maio. 2026.