CISTITE ENFISEMATOSA, UM RARO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Autores

  • Guilherme Domeneghini
  • Priscila Rodrigues Garrido Bratkowski
  • Débora Alves Nunes Mario
  • Luciana De Souza Nunes

Palavras-chave:

Cistite, enfisematosa, Diagnóstico, diferencial, K, pneumoniae

Resumo

Cistite enfisematosa (CE) é um raro diagnóstico diferencial de infecções do trato urinário (ITU), tratando-se de uma patologia pouco relatada na literatura, tendo sido encontrados apenas oitenta e oito casos relatados nos últimos cinco anos em busca realizada no PUBMED. Trata-se de uma doença com manifestações clínicas diversas, sendo as mais comuns a dor abdominal, hematúria e febre. O prognóstico da doença é relativamente bom, com mortalidade variando de 3 a 12%. A CE é uma condição que pode levar ao óbito caso não seja manejada corretamente e sua detecção é rara devido a necessidade da utilização de exames de imagem para sua comprovação, sendo necessário reconhecer possíveis casos da patologia. O presente relato tem o objetivo de demonstrar o manejo realizado em uma paciente idosa diagnosticada no estágio inicial da doença e também aumentar o número de publicações em português sobre essa doença. Foram utilizados prontuários da paciente cedidos pelo Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, localizado em São Miguel do Oeste SC para reconstruir o histórico cirúrgico prévio. Tratava-se de uma mulher de 82 anos, hipertensa com uso prévio de metildopa, hidroclorotiazida, AAS, sinvastatina e nimodipino, em uso regular de benzodiazepínico, usuária recorrente de AINEs e opioides. Havia sido internada 15 dias antes para tratamento de abdome agudo obstrutivo que posteriormente descobriu-se, por meio de laparotomia exploratória, ser causado por hérnias do tipo torção. A cirurgia realizada não apresentou complicação e a paciente foi enviada para a UTI e recebeu alta no quarto dia de internação com instruções de voltar em seis dias para avaliação. Retornou 5 dias depois queixando de diarreia, disúria e hematúria, apresentava-se afebril e negava dores abdominais, oligúria ou outros sintomas. Foi realizada tomografia computadorizada (TC) que revelou presença de gás delineando as paredes vesicais, fato que tornava o diagnóstico de CE plausível. A paciente teve material para urocultura colhido, que posteriormente revelou infecção por Klebsiella pneumoniae e iniciou-se tratamento empírico com meropeném e sondagem vesical de alívio a cada quatro horas. A paciente apresentou melhora clínica significativa, tendo alta após sete dias de antibioticoterapia. A CE é uma doença que costuma acometer pacientes do sexo feminino entre sessenta e setenta anos e que possuam fatores de risco que também influenciam em outras ITU, como diabetes mellitus e bexiga neurogênica. Vários microrganismos podem ser causadores da CE, sendo os mais comuns a Escherichia coli e a K. pneumoniae. Trata-se de uma doença com amplo espectro sintomatológico, podendo ser assintomática ou apresentar-se com sintomas de sepse grave. Seu diagnóstico baseia-se em exames de imagem, preferencialmente a TC, aliados a urocultura e antibiograma para escolha do tratamento adequado. O tratamento tem por base o tripé de antibioticoterapia parenteral, sondagem vesical de alívio e controle rigoroso da glicemia.

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Publicado

2020-03-30

Como Citar

CISTITE ENFISEMATOSA, UM RARO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101409. Acesso em: 3 maio. 2026.