EXERCÍCIO COGNITIVO PROTEGE CONTRA OS DÉFICITS DE MEMÓRIA RELACIONADOS À NEUROTOXICIDADE INDUZIDA PELA PROTEÍNA BETA-AMIELOIDE
Palavras-chave:
Exercício, cognitivo, Memória, AlzheimerResumo
INTRODUÇÃO: A Doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurodegenerativa que apresenta deposição encefálica da proteína β-amilóide (Aβ), morte neuronal e neurotoxicidade. A perda neuronal envolve estresse oxidativo e neuroinflamação, ocasionando perda de memória e declínio cognitivo. O exercício cognitivo se apresenta como uma possível alternativa para atuar nas perdas cognitivas, estimulando a neuroplasticidade. Esse estudo teve o objetivo avaliar o efeito do exercício cognitivo na prevenção dos déficits cognitivos causados pela neurotoxicidade induzida pela Aβ. METODOLOGIA: Ratos Wistar machos foram divididos em dois grandes grupos (n = 24/cada): exercício cognitivo (EC) e Controle (sem nenhuma intervenção). Após a intervenção por 4 semanas, os animais foram submetidos à cirurgia estereotáxica, com injeção de salina ou Aβ intrahipocampal (região CA1) bilateralmente. Após 10 dias de agregação das placas amilóides, os animais foram subdivididos em 4 grupos: Controle (salina), Aβ, EC, EC+Aβ. O EC foi baseado no labirinto de Barnes modificado, para ser uma atividade estimuladora da flexibilidade cognitiva, exigindo uma reorganização espacial. O EC foi realizado diariamente, por 4 semanas. Para avaliar a memória de curta (MCD) e longa duração (MLD) foi utilizada a Tarefa de Reconhecimento de Objetos (RO), que consiste em uma sessão de treino, com a exploração de dois objetos diferentes. Três e 24h após o treino, são realizadas as sessões de teste, onde um dos objetos é substituído por um novo, e contabilizado o tempo de exploração de cada objeto. Foram realizadas análises bioquímicas para avaliação do dano oxidativo no hipocampo, e análises histológicas cerebrais com coloração de hematoxilina-eosina (HE). Este trabalho foi aprovado pelo CEUA/Unipampa (14/2017). RESULTADOS: A infusão da proteína Aβ impediu a consolidação da MCD (P=0.56) e MLD (P=0.78). Os animais do grupo controle exploraram mais tempo o novo objeto, apresentando a formação da memória (P = (0.009),. O EC foi capaz de reverter o déficit de memória induzidos pela Aβ (EC+Aβ: MCD, P = 0.001; MLD, P=0,0001). Foi observada um aumento significativo dos níveis de EROS dos animais Aβ (P <0,0001), o qual foi prevenido no grupo EC+Aβ (P = 0.0001). A infusão de Aβ também aumentou a peroxidação lipídica (P = 0.0023) e o EC foi capaz de impedir esse aumento (P = 0.006). Houve uma diminuição na capacidade antioxidante total do grupo Aβ comparada ao grupo controle (P = 0.006), no entanto não houve diferença significativa no grupo da intervenção comparada ao Aβ (P = 0.36). Na análise histológica, o grupo controle apresentou organização hipocampal normal, enquanto os animais do grupo Aβ apresentaram grande desorganização. O EC foi capaz de prevenir esta desorganização tecidual. CONCLUSÃO: O exercício cognitivo protege contra o dano a memória de reconhecimento, evitando o aumento do estresse oxidativo e a desorganização do tecido hipocampal decorrentes da deposição da proteína β-amilóide.Downloads
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Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
EXERCÍCIO COGNITIVO PROTEGE CONTRA OS DÉFICITS DE MEMÓRIA RELACIONADOS À NEUROTOXICIDADE INDUZIDA PELA PROTEÍNA BETA-AMIELOIDE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101372. Acesso em: 14 maio. 2026.