EFEITOS DE UMA SESSÃO DE EXERCÍCIO FÍSICO SOBRE DÉFICIT DE APRENDIZAGEM CAUSADOS PELA DEPRIVAÇÃO MATERNAL

Autores

  • Marisele Soares
  • Priscila Marques Sosa
  • Ben Hur Souto das Neves
  • Guilherme Salgado Carrazoni
  • Pâmela Billig Mello Carpes

Palavras-chave:

Deprivação, maternal, exercício, aeróbico, consolidação, memória

Resumo

Introdução: O cérebro é sensível a influências externas no período neonatal. A exposição a eventos estressantes durante esta fase influencia no desenvolvimento do cérebro, impactando a função cognitiva na vida adulta. Por outro lado, trabalhos recentes destacam que o exercício físico pode atuar como neuroprotetor. Objetivo: Verificar os efeitos de uma sessão de exercício aeróbico na modulação da aprendizagem de ratos submetidos à deprivação maternal (DM), modelo que mimetiza o estresse no início da vida. Material e métodos: Este projeto foi aprovado pelo CEUA/Unipampa (protocolo 50/2017). Utilizamos 60 ratos Wistar machos divididos em dois grupos: DM e não deprivados (NDM). Posteriormente, os grupos foram subdivididos (n=10/grupo) em: DM, DM+Exercício, DM+Habituação ao exercício, NDM, NDM+Exercício e NDM+Habituação ao exercício. Todos os animais passaram pelo teste de memória de Reconhecimento de Objetos (RO), que consiste na apresentação de dois objetos diferentes no dia do treino, e, nos dias de teste, a um objeto novo e um familiar durante 5 minutos. Os animais dos grupos exercício foram submetidos a uma sessão de corrida em esteira rolante (30 min, 60-75% VO2max) logo após o treino no RO. Um grupo DM e um NDM passou apenas pela habituação a esteira, para controle. Testes de retenção e persistência da memória de RO foram realizados 24h, 7, 14 e 21 dias após o treino. O tempo de exploração dos objetos no RO foi convertido em porcentagem do tempo total de exploração e o teste de Wilcoxon foi usado para comparar a porcentagem com uma média teórica de 50%. Foram considerados significativos valores de P < 0,05. Resultados: No treino no RO todos os ratos exploraram os objetos por aproximadamente 50% do tempo total de exploração cada um (P>0,05). Os animais controle (NDM) formaram memória (teste 24h: P=0,015), porém, ela não persistiu nos demais testes (7d: P=0,2; 14d: P=0,06; 21d: P=0,7). O grupo DM não foi capaz de aprender (24h: P=0,570). O grupo NDM+Habituação aprendeu (24h: P=0,002), e a memória persistiu até 14 dias (7d: P=0,002; 14d: P=0,037). O grupo DM+ Habituação também foi capaz de aprender (24h: P=0,019), porém, não houve persistência da memória (7d: P=0,05; 14d: P=0,160; 21d: P=0,652). Já o grupo NDM+Exercício aprendeu (24h: P = 0,015), e a memória persistiu por até 14 dias (7d: P=0,015; 14d: P = 0,031), mas não por 21 dias (P = 0,312). O grupo DM+Exercício obteve boa consolidação da memória (24h: P=0,002), e ela persistiu por até 21 dias (7d: P=0,007; 14d: P=0,003; 21d: P=0,003). Conclusão: Uma única sessão de exercício aeróbico é capaz de evitar os déficits de aprendizagem relacionados à DM, promovendo a consolidação e persistência da memória.

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Publicado

2020-03-30

Como Citar

EFEITOS DE UMA SESSÃO DE EXERCÍCIO FÍSICO SOBRE DÉFICIT DE APRENDIZAGEM CAUSADOS PELA DEPRIVAÇÃO MATERNAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101347. Acesso em: 3 maio. 2026.