Avaliação do potencial antioxidante do ipê-amarelo frente aos danos gerados pela peçonha da serpente papa-pinto

Autores

  • Kellen Rocha
  • Kellen Rocha
  • Aline da Silva Goulart
  • Gabriel Quevedo Severo
  • Andréia Caroline Fernandes Salgueiro
  • Vanderlei Folmer
  • Marcio Tavares Costa

Palavras-chave:

Colubridae, veneno, envenenamento

Resumo

Plantas medicinais têm sido utilizadas há anos a fim de tratar diversas enfermidades. Entre estas plantas estão os ipês pertencentes à família Bignoniaceae, utilizados no tratamento de acidentes ofídicos. Neste cenário encontra-se o ipê-amarelo Handroanthus chrysotricha, uma espécie arbórea com efeitos diversos, como ação analgésica. Salienta-se que o Brasil registrou 28.841 casos de ofidismo em 2018, totalizando 106 mortes. Cerca de 20 a 40% destes acidentes podem ser representadas pela família Dipsadidae. E, desta família, a serpente Philodryas patagoniensis, conhecida popularmente como papa-pinto, é uma serpente frequente no Bioma Pampa. Deste modo, o objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial antioxidante do ipê-amarelo H. chrysotricha frente aos danos oxidativos gerados pela peçonha de P. patagoniensis nos principais tecidos de camundongos. Para isso, o ipê foi identificado e uma exsicata depositado no herbário institucional (142/2017). Suas cascas foram coletadas (29°49'49.2"S 57°06'07.1"W), submetidas à secagem a 40°C por cinco dias em estufa e posteriormente moída e percolada utilizando-se etanol 70% como solvente. Esta solução foi concentrada em rotaevaporador e liofilizada para obtenção do extrato da casca (HCBE). Em seguida, 24 camundongos Swiss adultos (CEUA: 048/2018 / ICMBio/SisBio: 45691) foram divididos em 4 grupos: Grupo salina (salina via gavagem e via subplantar); Grupo HCBE (100mg/kg HCBE via gavagem e salina via subplantar); Grupo peçonha (salina via gavagem e 1,5ug/50ul de peçonha via subplantar) e Grupo HCBE + Peçonha (100mg/kg de HCBE e 1,5ug/50ul de peçonha), tratados durante 72hs. Ao final, os animais foram eutanasiados e o cérebro, rins e fígado foram coletados para testes de avaliação de dano oxidativo (TBARS, Carbonilação e grupos tióis não proteicos - NPSH). Os resultados demonstraram que a peçonha administrada elevou signitivamente as concentrações de TBARS nos tecidos hepático e renal, e o tratamento com ipê-amarelo foi capaz de reverter estes danos. Em contrapartida, as concentrações de NPSH nos cérebros expostos à peçonha elevaram-se, sem alterações significativas em relação ao grupo tratado com o ipê-amarelo. Já, os níveis de proteínas carboniladas aumentaram nos tecidos renais e cerebral. Neste último, o extrato foi efetivo em amenizar estas alterações. Sabe-se que a peçonha da serpente papa-pinto tem atividade biológica similar ao botrópico, e demonstra aumento do estresse oxidativo. Sendo uma opção para extração de peçonha a fim de induzir danos utilizados em testes farmacológicos. Em conjunto, o tratamento com ipê-amarelo foi eficaz em atenuar a peroxidação lipídica e carbonilação em diferentes tecidos. Assim, os dados sugerem que antioxidantes naturais como o extrato testado podem ser uma opção, em conjunto com o soro antiofídico, para o tratamento nos casos de envenenamento por serpentes. Justificando a utilização desta planta na medicina popular.

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Publicado

2020-03-30

Como Citar

Avaliação do potencial antioxidante do ipê-amarelo frente aos danos gerados pela peçonha da serpente papa-pinto. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101343. Acesso em: 3 maio. 2026.