EXPOSIÇÃO EMBRIONÁRIA DE PEIXE-ZEBRA À PERMETRINA RESULTA EM ALTERAÇÕES NEUROCOMPORTAMENTAIS NA IDADE ADULTA
Palavras-chave:
Efeitos, neurotóxicos, 1, Agressividade, 2, Piretróides, 3, Danio, rerio, 4, Desenvolvimento, 5Resumo
A prevalência de distúrbios de desenvolvimento neurológico tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Evidências na literatura científica mostram que poluentes ambientais causam danos ao desenvolvimento do sistema nervoso. A permetrina (PM), um inseticida piretróide sintético do Tipo I, frequentemente utilizado na agricultura e em ambientes domésticos. A exposição a este inseticida tem sido relacionada com efeitos neurotóxicos em organismos em estágios iniciais de desenvolvimento, os quais apresentam elevados níveis de marcadores de bioacumulação, principalmente em mulheres grávidas e crianças. Os mecanismos pelos quais este composto induz seus efeitos sobre o desenvolvimento embrionário e neurológico em organismos não-alvo permanecem desconhecidos, assim como a persistência dos efeitos de exposição durante o desenvolvimento. Desta forma, o objetivo do estudo foi avaliar os efeitos a longo prazo da exposição embrionária à concentrações sub-letais de PM, através de diferentes parâmetros comportamentais relacionados a ansiedade, depressão e agressividade, tendo como organismo modelo o peixe-zebra (Danio rerio). Todos os protocolos experimentais utilizados neste trabalho foram aprovados pelo comitê de ética local (CEUA/UNIPAMPA protocolo n° 003/2016). Os embriões de peixe-zebra foram expostos às concentrações de PM (25 e 50 µg/L) durante as primeiras 24 horas pós-fertilização (hpf), cada grupo teve um número amostral de 48 embriões. Após o período de exposição, os embriões foram retirados da solução de exposição e mantidos condições ideais para o seu desenvolvimento até a fase adulta (90 dpf). Na fase adulta foram analisados diferentes parâmetros comportamentais através dos testes de novel tank; claro-escuro; exposição ao predador; preferência social e de agressão induzida por espelho. Os resultados observados e analisados demonstraram que a exposição embrionária de peixes-zebras à PM diminui a atividade exploratória, a aversão a situações ameaçadoras e o comportamento defensivo do indivíduo na fase adulta. Também foi observado que houve um aumento do comportamento agressivo na fase adulta, no entanto a preferência social não foi afetada. Além disso, foram observados distúrbios de ansiedade e medo nos animais expostos. Estas alterações comportamentais podem comprometer o convívio social de espécies expostas a esses compostos no ambiente, prejudicando o fitness e, por consequência, a sobrevivência. Além disso, é possível apontar a PM como um contaminante ambiental nocivo ao neurodesenvolvimento e que também pode estar relacionado com o aumento dos distúrbios comportamentais em humanos observados nas últimas décadas. Desta forma podemos concluir que a exposição embrionária à PM resulta em alterações neurocomportamentais na fase adulta, o que pode ser atribuído aos potenciais efeitos neurotóxicos durante o desenvolvimento embrionário/neuronal e que persistiram durante o desenvolvimento até a fase adulta.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
EXPOSIÇÃO EMBRIONÁRIA DE PEIXE-ZEBRA À PERMETRINA RESULTA EM ALTERAÇÕES NEUROCOMPORTAMENTAIS NA IDADE ADULTA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101336. Acesso em: 3 maio. 2026.