ESTIMULAÇÃO DE RECEPTORES DOPAMINÉRGICOS D1/D5 REVERTE OS DÉFICITS DE MEMÓRIA CAUSADOS POR DEPRIVAÇÃO MATERNAL
Palavras-chave:
Deprivação, Materna, Déficit, memória, Receptores, dopaminérgicos, PersistênciaResumo
O desenvolvimento neural é afetado pela privação de cuidados neonatais. Estudos em roedores utilizando protocolos de deprivação materna (DM) mostram que ela pode gerar alterações dopaminérgicas, afetando memórias dependentes do hipocampo. Contudo, ainda não está claro se a estimulação hipocampal de receptores dopaminérgicos (RD) é capaz de reverter os déficts de memória induzidos pela DM. Assim, nosso objetivo é investigar o envolvimento dos RD D1/D5 no déficit de memória induzido pela DM. Inicialmente, ratas Wistars prenhas foram utilizadas (n = 10). Após o parto, metade da ninhada foi submetida à DM, que consiste na retirada da mãe da caixa-moradia do primeiro dia pós-natal (PND-1) até o PND-10, por 3h/dia. Na fase adulta, os ratos machos foram subdivididos em 4 grupos (n = 10/grupo): (i) Controle; (ii) DM; (iii) SKF 38393 (agonista dopaminérgico D1/D5) e (iv) DM + SKF 38393. Logo, todos os animais foram submetidos a cirurgia esterotáxica para implantação de cânulas na região CA1 do hipocampo, para posterior infusão de droga/salina. Para avaliação da memória foi utilizada a tarefa de reconhecimento de objetos (RO), que, após habituação ao aparato, envolveu uma sessão de treino, na qual os ratos foram colocados no aparato com dois objetos diferentes (A e B) para livre exploração por 5min. O teste no RO foi feito 24h, 7, 14 e 21 dias após o treino, sendo que um dos objetos do treino foi mantido e o outro trocado por um novo para livre exploração por 5min. As diferenças foram consideradas estatísticamente significantes quando P<0,05. Este projeto foi aprovado pelo CEUA/UNIPAMPA (protocolo 032/2018). No treino, todos os grupos exploraram cerca de 50% do tempo cada um dos objetos (P > 0,05). No teste de 24h, os animais dos grupos Controle (P = 0,0419), SKF (P = 0,0211), e DM + SKF (P = 0,0055) exploraram significativamente mais de 50% do tempo total de exploração o novo objeto, demonstrando memória preservada. Já o grupo DM explorou similarmente o objeto familiar e o novo (P = 0,1381), sugerindo déficit de memória. Na avaliação da persistência da memória, os controles exploraram similarmente os dois objetos no 7ºd (P = 0,6405), 14ºd (P = 0,7588) e 21ºd (P = 0,5436), sugerindo esquecimento fisiológico. Ainda, o grupo DM explorou similarmente os dois objetos no 7ºd (P = 0,8702), 14ºd (P = 0,0979) e 21ºd (P = 0,8440). O grupo SKF explorou significativamente mais o objeto novo até o 21º d (P = 0,0120, para 7ºd; P = 0,0368 para 14ºd; e P = 0,0195 para o 21ºd), demonstrando que a estimulação dos RD D1/D5 promoveu a persistência da memória. Os animais do grupo DM + SKF exploraram mais o objeto novo até o 14ºd (P = 0,0052, para o 7ºd; e P = 0,0394, para o 14ºd), mostrando que a estimulação dos RD D1/D5 promoveu melhora da persistência da memória em ratos deprivados. Os resultados demonstram que a estimulação dos RD D1/D5 é capaz de reverter os déficits de memória de RO induzidos pela DM, além de promover melhora da persistência da memória.Downloads
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Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ESTIMULAÇÃO DE RECEPTORES DOPAMINÉRGICOS D1/D5 REVERTE OS DÉFICITS DE MEMÓRIA CAUSADOS POR DEPRIVAÇÃO MATERNAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101321. Acesso em: 13 maio. 2026.