COMPOSTOS CAPAZES DE ULTRAPASSAR O FENÓTIPO DE RESISTÊNCIA A MÚLTIPLAS DROGAS EM LINHAGENS ERITROLEUCÊMICAS HUMANAS.

Autores

  • Eduardo Wagner
  • Mariana Teixeira Santos Figueiredo Salgado
  • Francielly Hafele Mattozo
  • Estela Fernandes E Silva
  • Suzana Juliano Kalil
  • Ana Paula de Souza Votto

Palavras-chave:

Ácido, Acetil, Salicílico, C-, Ficocianina, Ouabaína, Inibição, Proliferação, Apoptose/Necrose

Resumo

A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é uma desordem mieloproliferativa de células tronco hematopoiéticas em diferenciação na medula óssea. A maioria encontra-se associada a translocação recíproca entre os braços longos dos cromossomos 9 e 22 (Cromossomo Philadelphia), resultando em uma tirosina-quinase ativa, que atua na desregulação da proliferação de células mielóides. Após tratamento com quimioterápicos, algumas destas células podem se tornar resistentes a múltiplas drogas (MDR), apresentando superexpressão de proteínas de efluxo de fármacos, pertencentes a família ABC. Dessa forma, é de grande relevância pesquisas que se dediquem em encontrar novos agentes farmacológicos que consigam ultrapassar o fenótipo MDR. O presente trabalho investigou o potencial anti-MDR dos compostos C-ficocianina (C-FC, um pigmento extraído da cianobactéria Spirulina platensis), Ácido Acetilsalicílico (AAS, um anti-inflamatório inibidor de COX) e Ouabaína (OUA, um glicosídeo cardíaco) em linhagens eritroleucêmicas humanas. A linhagem K562 é sensível à quimioterapia, e as linhagens K562-Lucena, que superexpressa ABCB1, e FEPS, que superexpressa ainda mais ABCB1 e também ABCC1, são MDR. Foi realizado o ensaio de viabilidade celular de exclusão por azul de trypan para todos compostos por até 72 h, onde as concentrações foram: 0,5; 1; 1,.5; 2 e 2,5 mM de AAS, 2; 20; 50; 100 e 200 μg/mL de C-FC, e 0,01; 0,1; 1; 10 e 100 nM de OUA. Para OUA foi realizado o ensaio de apoptose e necrose por microscopia de fluorescência após 48 h de exposição à concentração de 100 nM. A linhagem K562 tratada com AAS mostrou inibição na proliferação celular a partir de 48h após a exposição em todas as concentrações, já a linhagem K562-Lucena apresentou este efeito a partir da concentração de 1 mM a partir de 48 h. Na linhagem FEPS houve uma inibição na proliferação a partir da concentração de 1,5 mM em 48 h, e em todas as concentrações em 72 h. A linhagem K562 exposta a C-FC mostrou inibição na proliferação celular após 72 h a partir da concentração de 20 μg/ml, já na linhagem K562-Lucena a inibição da proliferação ocorreu em 48 h na maior concentração, e em 72 h com todas as concentrações. Na linhagem FEPS só houve inibição de proliferação na maior concentração em 72 h. A concentração de 10 nM de OUA causou inibição de proliferação apenas na linhagem FEPS em 72 h. Já a concentração de 100 nM causou citotoxicidade após 48 h em todas as linhagens. Esta citotoxicidade causada pela OUA foi confirmada pelo ensaio de apoptose e necrose, onde houve morte por apoptose em todas as linhagens e nas linhagens MDR foi observado também morte por necrose. Esse estudo mostrou o potencial anti-MDR dos compostos com mecanismos de ação distintos, uma vez que foram capazes de causar inibição de proliferação ou indução à morte celular. A linhagem K562 foi a mais sensível ao AAS, a linhagem K562-Lucena foi a mais sensível à C-FC e a linhagem FEPS, considerada mais resistente, foi a mais sensível à OUA.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Publicado

2020-03-30

Como Citar

COMPOSTOS CAPAZES DE ULTRAPASSAR O FENÓTIPO DE RESISTÊNCIA A MÚLTIPLAS DROGAS EM LINHAGENS ERITROLEUCÊMICAS HUMANAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101320. Acesso em: 3 maio. 2026.