PERFIL DE RESISTÊNCIA DE RHIPICEPHALUS MICROPLUS A ACARICIDAS UTILIZADOS PARA CONTROLE NA FRONTEIRA OESTE-RS
Palavras-chave:
Rhipicephalus, microplus, resistência, fronteira, oeste, bovinosResumo
A fronteira oeste do Rio Grande do Sul concentra grande parte do rebanho bovino do estado, e esse elevado número de animais favorece o desenvolvimento do Rhipicephalus microplus (carrapato do boi), causando grandes perdas econômicas para o setor. Os prejuízos podem ser devido a ação direta pela hematofagia, anemia, prurido, irritação da pele, queda no peso e na produção, predisposição a miíases, ou de forma indireta, principalmente pela transmissão do complexo Tristeza Parasitária Bovina. O método mais empregado para o controle desse ácaro é a utilização de produtos químicos, porém o uso intensivo e errôneo desses produtos tem gerado o aparecimento de populações resistentes a princípios ativos. Dessa forma a utilização do teste in vitro com imersão de adultos é forma mais sensata para utilização dos acaricidas, pois possibilita saber qual o produto aquela população de carrapato é sensível. Diante disso, o presente trabalho tem por objetivo avaliar a susceptibilidade das diferentes cepas de campo aos princípios ativos utilizados para controle em propriedades na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, utilizando dados de amostras recebidas no laboratório durante três anos. O estudo foi realizado no Laboratório de Parasitologia Veterinária da UNIPAMPA- Uruguaiana, no período de 2017 a 2019, onde utilizou-se o teste de resistência descrito por Drummond (1973), que consiste na coleta de teleóginas ingurgitadas em propriedades da região e que no laboratório, são classificadas, divididas em grupos de 10, imergidas em diferentes princípios ativos e acondicionadas na estufa, após determinado tempo realiza-se porcentagem de mortalidade, pesagem de ovos e avaliação de eclodibilidade, e ao final se obtêm a eficácia do produto químico. Após análise de dados, de 44 biocarrapaticidogramas completos utilizando 5 princípios ativos para teste, constatou-se que 74,99% das cepas testadas são resistentes a quatro (36,36%) ou cinco princípios (38,63%), sugerindo multirresistência na região. Se levarmos em conta que atualmente existe sete grupos químicos diferentes de produtos, esse cenário é preocupante. Em nenhum do testes realizados, encontrou-se populações suscetíveis a apenas um princípio ativo, todas se revelaram resistentes a partir ou acima de dois princípios. De todos os testes somente uma população de carrapatos foi suscetível a todos princípios ativos utilizados. Sabe-se que a resistência é uma adaptação evolutiva, assim sendo é inevitável o surgimento de gerações resistentes devido a seleção natural. Essa seleção é lenta, porém tem alguns fatores que a aceleram, tais como, sobre dosagem ou sub dosagem dos produtos, frequência de tratamento, modo de aplicação entre outros, ao qual levam os parasitos a sofrerem transformações para sobreviver aos produtos. Com base nos resultados, observou-se uma grande presença de populações de carrapatos resistentes aos acaricidas na região da fronteira oeste, sendo indispensável medidas que retardem a seleção dos mesmos.Downloads
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Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
PERFIL DE RESISTÊNCIA DE RHIPICEPHALUS MICROPLUS A ACARICIDAS UTILIZADOS PARA CONTROLE NA FRONTEIRA OESTE-RS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101257. Acesso em: 3 maio. 2026.