ATIVIDADE DE NOVILHAS DE CORTE DESAFIADAS COM LIPOPOLISSACARÍDEO

Autores

  • Bruno Bloemker
  • Joao Alveiro Alvarado Rincón
  • Joana Piagetti Noschang
  • Wagner Machado dos Santos
  • Lucas Cardozo da Silva
  • Antônio Amaral Barbosa

Palavras-chave:

Bactérias, Gram, negativas, Bovinos, Corte, Comportamento, Inflamação, Ruminante

Resumo

O rúmen é conhecido por ser uma câmara fermentativa com a presença de diversos microrganismos que auxiliam na digestão dos ruminantes. Dentre estes microrganismos, existem bactérias Gram negativas, que possuem em sua camada externa o lipopolissacarideo (LPS). Essa molécula é extremamente tóxica, e é liberada quando as bactérias se multiplicam ou são degradadas. Alterações na proporção de alimentos concentrados, sem prévia adaptação do ambiente ruminal, podem desencadear uma grande liberação dessa endotoxina, podendo essa ser translocada para a circulação onde causa uma resposta inflamatória, com liberação de citocina e pode alterar o comportamento dos animais. Objetivou-se neste estudo avaliar a atividade de novilhas de corte desafiadas com a aplicação de uma solução salina contendo LPS, injetada por via intravenosa nos animais. O experimento foi realizado em uma fazenda comercial no município de São Lourenço do Sul, sendo aprovado pelo CEEUA da UFPel sob o número 9364. Foram acompanhadas 16 novilhas de corte, de raças europeias, saudáveis, com idade média de 14 meses, manejadas em sistema de confinamento, recebendo uma dieta a base de 60% volumoso e 40% concentrado. Os animais foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: o grupo LPS (n=8) que recebeu uma aplicação de 2 mL de solução contendo 0,5 µg/kg de peso corporal de LPS por via intravenosa, com intervalo de 24 horas; e o grupo controle (n=8) que recebeu uma aplicação de 2 mL de solução salina com o mesmo intervalo de tempo. A temperatura dos animais foi registrada a cada 30 minutos durante todo o período experimental com termômetro data logger (Ibutton, Thermochron, Whitewater, USA). Para monitoramento do comportamento dos animas frente ao desafio com LPS foram utilizadas coleiras de monitoramento (chip Inside), que foram colocadas no pescoço dos animais e coletaram os dados de atividade ao longo de 13 horas em relação ao desafio. As novilhas desafiadas com LPS apresentaram menor atividade (4,61 ± 0,86 min) em relação ao grupo controle (8,22 ± 0,86 min), gerando uma diferença significativa (p=0,01). Isto pode ser atribuído ao fato do LPS desencadear uma ação inflamatória do organismo, causando febre e dor aos animais. Ao sentirem dor, os animais tendem a não se movimentar na mesma intensidade que animais hígidos, isto acarreta inclusive na menor procura por alimentos. Houve também uma diferença significativa (p=0,004) na temperatura dos animais, onde os animais do grupo LPS apresentaram maior temperatura (40,44 ± 0,35 oC) em relação aos animais do grupo controle (39,34 ± 0,11 °C). Pode se concluir assim que existe uma resposta inflamatória quando o animal é desafiado com LPS, desencadeando com isso uma alteração no comportamento, representado pela menor atividade dos mesmos. Demonstrando com isso, que a exposição ao LPS, de forma induzida ou natural é maléfica ao animal, por reduzir o seu bem-estar e reduzir o desempenho dos mesmos.

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Publicado

2020-03-30

Como Citar

ATIVIDADE DE NOVILHAS DE CORTE DESAFIADAS COM LIPOPOLISSACARÍDEO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101255. Acesso em: 3 maio. 2026.