COMUNICAÇÃO INTERVENTRICULAR EM CÃO: ESTUDO DE UM CASO ASSINTOMÁTICO ACOMPANHADO POR DEZ ANOS
Palavras-chave:
Defeito, septo, interventricular, Canino, Cardiopatia, congênitaResumo
A comunicação interventricular (CIV) é anomalia cardíaca congênita infrequente em cães, caracterizada pela não oclusão do botão ventricular fetal ou defeito de qualquer porção interventricular que acarrete na comunicação entre eles. A maior pressão do ventrículo esquerdo leva ao sentido fluxo sanguíneo (shunt) da esquerda para direita. Cronicamente há hipertrofia concêntrica do ventrículo direito, acompanhada de aumento da pressão sistólica e diastólica dessa câmara cardíaca, podendo inverter o sentido do shunt em alguns casos, dependendo do tamanho da comunicação e cronicidade do quadro. Diante da imprevisibilidade da evolução clínica de cada caso, torna-se importante a avaliação crônica desses pacientes visando nortear a conduta terapêutica e prognóstica. Dessa forma, objetivamos, com esse estudo de caso, descrever a evolução clínica e hemodinâmica de um cão diagnosticado com CIV, acompanhado por 10 anos. Para tanto, um cão, fêmea, da raça Shihtzu, foi acompanhado em consultas periódicas anuais do momento do diagnóstico ecocardiográfico de CIV (quatro meses) até 10 anos de idade, por meio da avaliação clínica, radiográfica, eletrocardiográfica e ecodopplercardiográfica. Clinicamente o cão esteve assintomático durante todo período do estudo, apresentando apenas sopro sistólico audível em foco mitral e tricúspide observadas ao exame físico. Radiograficamente (RX) e eletrocardiograficamente (ECG) o cão apresentou aumento gradual da silhueta cardíaca e região do ventrículo direito (RX), aliado a presença de ritmo sinusal e indícios de sobrecarga ventricular direita (ECG), sugerindo remodelamento cardíaco significativo em função da CIV. O ecocardiograma revelou CIV com diâmetro variando de 36 à 45 mm, com a função sistólica e diastólica preservadas, porém, com hipertrofia concêntrica e excêntrica do ventrículo direito, agravada com o passar dos anos. Aos 10 anos de idade o animal desenvolveu degeneração mixomatosa das valvas mitral, tricúspide e aórtica, não relacionadas ao CIV, permitindo quantificar a hipertensão arterial pulmonar sistólica moderada (62,9 mmHg), justificando a terapia com amlodipina. No entanto, apesar de todos os sinais radiográficos, eletro e ecocardiográficos de evolução do quadro, o cão permaneceu assintomático durante o período, contrariando as expectativas e considerações literais, nas quais os sinais respiratórios de dispneia, síncope e cansaço fácil são frequentemente observados. Possivelmente, essa inesperada evolução clínica esteja relacionada com a pequena dimensão do defeito de septo interventricular. Por fim, ao concluir esse estudo de caso foi possível destacar a importância da avaliação clínica para nortear a decisão terapêutica, ainda que exames complementares da radiografia, eletrocardiografia e ecocardiografia sugiram progressão da doença. Da mesma forma, ressalta-se a necessidade de novos estudos que corroborem a evidência científica que justifique ou não a terapia para esses casos de CIV de pequena dimensão.Downloads
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Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
COMUNICAÇÃO INTERVENTRICULAR EM CÃO: ESTUDO DE UM CASO ASSINTOMÁTICO ACOMPANHADO POR DEZ ANOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101249. Acesso em: 3 maio. 2026.