ABSCESSO PERIAPICAL EM CERDOCYON THOUS: RELATO DE CASO

Autores

  • Matheus Borges
  • Matheus Borges Rodrigues Santos
  • Lorena Stephany Bezerra Alves
  • Paulo de Souza Junior
  • Amarilis Díaz de Carvalho

Palavras-chave:

Anatomia, animal, Carnívoros, Odontologia, veterinária

Resumo

O Cerdocyon thous é um canídeo silvestre, popularmente conhecido como cachorro-do-mato ou graxaim-do-mato. Tem ampla distribuição no continente sul americano, a exceção da Amazônia. Tem hábito alimentar onívoro, consumindo frutas e pequenos vertebrados. Devida a sua alta ocorrência, é uma espécie frequentemente atendida em serviços veterinários de zoológicos e unidades de conservação. Abscessos periapicais são comuns em cães domésticos, causando dificuldade de alimentação, dor e edema na região infraorbitária com possível dano ósseo. O objetivo deste trabalho é apresentar as lesões ósseas no crânio de um espécime de C. thous, decorrente de abscesso periapical. Durante o preparo de crânios para o estudo de anatomia de canídeos silvestres, foi identificado em um espécime adulto, fêmea, alterações ósseas compatíveis com abscesso periapical. O crânio era de um animal recolhido morto em rodovia (autorização SISBIO 33667) e foi macerado por raspagem dos tecidos moles, seguido de fervura e secagem ao sol. Observou-se uma lesão circunscrita com perda óssea na face lateral do osso maxilar ao nível do ápice da raiz mais rostral do dente primeiro molar superior esquerdo. Também foi verificada uma área circunscrita de osteólise na face dorsal do osso maxilar, em região correspondente à raiz caudal do mesmo dente. Esta segunda área de osteólise ficava, portanto, voltada para a órbita. O dente encontrava-se internamente escurecido, possivelmente por uma infecção pulpar. Os dentes molariformes contralaterais pareciam levemente mais desgastados, em virtude da mastigação concentrada no lado direito. Em cães domésticos, os abscessos periapicais são mais frequentes na raiz do quarto pré-molar superior, conhecido como dente de carniceiro, embora abscessos no primeiro molar não sejam raros. Nestes casos, usualmente se recomenda a exodontia seguida por antibioticoterapia. No caso deste espécime silvestre, possivelmente havia fistulação infraorbitária e compressão ventral do bulbo ocular, ainda que o animal não tenha sido examinado antes do preparo dos ossos para estudo. A causa para esse quadro infeccioso costuma decorrer de lesões no esmalte dentário por mordedura de estruturas rígidas e/ou doença periodontal grave. O desgaste dos molariformes do lado oposto à lesão bem como a presença de osteólise em dois pontos, sugerem cronicidade da infecção. Pode-se concluir que este tipo de lesão ocorre não apenas em cães domésticos, mas também em canídeos silvestres de vida livre. O médico veterinário que presta atendimento em zoológicos e criadouros precisa estar atento a alterações dentárias em espécimes silvestres, pois podem dificultar a alimentação e predispor a outras doenças.

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Publicado

2020-03-30

Como Citar

ABSCESSO PERIAPICAL EM CERDOCYON THOUS: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101247. Acesso em: 3 maio. 2026.