COMPLICAÇÕES PERIANESTÉSICAS DURANTE MIELOGRAFIA EM UM CANINO

Autores

  • Kamylla Garcia
  • Alyssa Brum de Souza Pahim
  • Fabiana Wurster Strey
  • Bibiana Welter Pereira
  • Diego Vilibaldo Beckmann
  • Marilia Teresa De Oliveira

Palavras-chave:

Anestesiologia, Intercorrência, Estimulo, vagal

Resumo

A mielografia consiste na injeção subaracnóidea de contraste radiopacos, sendo utilizada para o diagnóstico de doenças neurossistêmicas. Devido aos riscos do procedimento, principalmente relacionados à administração do contraste, a anestesia geral, ventilação controlada e monitoração constante se tornam imprescindíveis. Considerando as possíveis intercorrências do exame, como convulsões, êmese, apnéia e alterações cardiovasculares, este relato tem como objetivo descrever a conduta anestésica para realização de mielografia em um canino. A ficha do paciente foi coletada no arquivo do HUVet Unipampa após consulta no livro de registros de procedimentos anestésicos, para posterior análise. Foi atendido um cão, macho, com 10 anos, da raça Boiadeiro Australiana, pesando 26,8 kg, o qual foi submetido ao procedimento de mielografia. Na avaliação pré-anestésica se encontrava taquipnéico, com frequência cardíaca de 100 bpm, tempo de preenchimento capilar de 1 segundo, mucosas róseas, pulso normocinético, temperatura corporal de 38,3ºC e hidratado, então classificado como ASA II. Como medicação pré-anestésica foi administrado metadona (0,3 mg/kg, IV), afim de oferecer analgesia ao paciente, tendo a vantagem de possuir mínimos efeitos no fluxo sanguíneo cerebral e não promover êmese como outros opioides. Para indução, foi administrado diazepam (0,3 mg/kg, IV) e propofol (2,6 mg/kg, IV), permitindo a intubação do paciente para a manutenção da anestesia com isofluorano vaporizado em oxigênio a 100%. O diazepam promove mínimos efeitos cardiorrespiratórios, além de possuir ação anticonvulsivante, característica que evidencia a sua indicação, visto que 75% das complicações transanestésicas do exame são convulsões parciais ou generalizadas. O propofol apesar de ser um rápido indutor, está associado a efeitos depressores do miocárdio, diminuição da pressão arterial, assim como a depressão do sistema respiratório, podendo provocar apneia, fato evidenciado pela ocorrência de cianose após a indução. Além do momento da indução, existe a chance de quadros de apneia durante a punção do espaço subaracnoide e durante a aplicação do contraste, o que torna indispensável a monitoração adequada da ventilação do paciente, nesse caso realizada de forma assistida. Durante o transanestésico, houve a monitoração dos parâmetros vitais. Após a administração do contraste, o animal entrou em bradicardia (30 bpm), podendo estar relacionado ao próprio procedimento, a possível afecção neurológica ou ao iodo que é utilizado como contraste e pode induzir estímulos vagais. Esta intercorrência foi corrigida com atropina (0,02 mg/kg, IV). Ademais, os parâmetros vitais mantiveram-se estáveis e ao término da anestesia o paciente apresentou rápida recuperação, desprovida de excitação. Conclui-se que o conhecimento farmacológico, assim como o da técnica realizada, associados a avaliação do paciente permitiram a escolha adequada do protocolo anestésico e rápida resolução das complicações ocorridas.

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Publicado

2020-03-30

Como Citar

COMPLICAÇÕES PERIANESTÉSICAS DURANTE MIELOGRAFIA EM UM CANINO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101243. Acesso em: 3 maio. 2026.