CONDUTA ANESTÉSICA PARA TRATAMENTO PERIODONTAL E TONSILECTOMIA EM UM FELINO RELATO DE CASO

Autores

  • Deiber Filho
  • Bibiana Welter Pereira
  • Maria Ligia de Arruda Mistieri
  • Marília Teresa de Oliveira
  • Roberto Thiesen

Palavras-chave:

Analgesia, Anestésico, Local, Odontologia, Felino

Resumo

Em casos de procedimentos envolvendo a cavidade oral que geram estímulo doloroso, a anestesia locorregional de nervos cranianos é uma técnica que pode ser empregada. A utilização desta em associação à anestesia geral promove benefícios ao paciente no período transoperatório, reduzindo a dose de anestésico geral administrada, diminuindo a depressão cardiopulmonar induzida por anestésicos. Porém, algumas alterações como reações inflamatórias exacerbadas, edema de glote e espasmo de laringe podem gerar complicações no início do procedimento, como na etapa de intubação endotraqueal. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é compartilhar informações acerca da conduta anestésica tomada para realização de tratamento periodontal e tonsilectomia em um felino. Foi atendido no Hospital Universitário Veterinário da Unipampa um felino, macho, SRD, com três anos e seis meses, pesando 3,5 kg e com sinais clínicos de gengivite, sialorreia e dificuldade para ingestão de alimentos sólidos há sete meses, referidos pela tutora. Em exame clínico odontológico posterior foram observados sinais de Complexo Gengivite Estomatite Felina (CGEF), lesão absortiva dentária felina e tonsilite, diante deste quadro foram recomendadas extração total dos dentes e tonsilectomia. O paciente foi classificado como ASA II (presença de doença sistêmica leve) segundo a American Society of Anesthesiologists. Assim, a medicação pré-anestésica consistiu na utilização de zolazepam e tiletamina (5 mg/kg) associados a morfina (0,3 mg/kg), administrados por via intramuscular. Diante da dificuldade de intubação relatada em procedimento anestésico anterior, o paciente foi pré-oxigenado durante cinco minutos, para posterior indução da anestesia, que foi obtida a partir da administração via intravenosa de propofol (4 mg/kg). A intubação endotraqueal foi extremamente dificultosa devido a hiperplasia das tonsilas e demorou aproximadamente 25 minutos para que o tubo endotraqueal fosse posicionado, sendo necessário doses suplementares de propofol e oxigenação via máscara facial, entre as inúmeras tentativas. Não foi necessária realização de traqueostomia, situação considerada até mesmo antes do procedimento. Posteriormente a manutenção anestésica foi obtida com isofluorano vaporizado em oxigênio 100% em sistema não reinalatório. Com intuito de bloqueio de estímulos dolorosos, escolheu-se a anestesia locorregional do nervo maxilar e ramo inferior do nervo mandibular, com lidocaína, sem necessidade de resgate analgésico. Após o término do procedimento e extubação, o paciente recebeu oxigenoterapia até retomar completamente a consciência. Diante disso, conclui-se que todos os cuidados pré, trans e pós-anestésicos foram fundamentais para o sucesso do procedimento.

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Publicado

2020-03-03

Como Citar

CONDUTA ANESTÉSICA PARA TRATAMENTO PERIODONTAL E TONSILECTOMIA EM UM FELINO – RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 10, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/100797. Acesso em: 2 maio. 2026.