AVALIAÇÃO DO PERFIL ELETROFORÉTICO DO VENENO DE BOTHROPS PUBESCENS

Autores

  • Darlene Rangel
  • Maria Eduarda Tabarez de Abreu
  • Evelise Lais Carvalho
  • Paulo Marcos Pinto

Palavras-chave:

serpente, eletroforese, Bioma, Pampa

Resumo

No Brasil ocorrem 385 espécies de serpentes, das quais 62 são peçonhentas. As serpentes peçonhentas apresentam glândulas de veneno desenvolvidas e associadas a um aparelho inoculador, cuja função primária é subjugar e digerir suas presas. O gênero Bothrops compreende várias espécies de serpentes que ocorrem no continente americano, do México até a Argentina. Bothrops pubescens é uma serpente peçonhenta de porte médio que ocorre restritamente no Rio Grande do Sul e Uruguai. Foi observado que a dieta desta serpente consiste em lacraias, anfíbios, lagartos, serpentes, mamíferos e aves e há variação ontogenética na dieta, onde indivíduos pequenos alimentam-se principalmente de anfíbios e não consomem mamíferos, indivíduos de tamanho mediano predam todas as categorias de presa e indivíduos grandes consomem exclusivamente mamíferos. Essa variação na dieta pode levar a uma alteração na composição intraespécie do veneno. A composição do veneno do gênero Bothrops já é conhecido através da venômica ou indiretamente através de estudos transcriptômicos. Através desses estudos, foi elucidado famílias de proteínas que compõe o veneno, como metaloproteínases de veneno de cobras, serino proteases de veneno de cobras e fosfolipases A2. A variação na composição do veneno é notável e pode estar correlacionada com a filogenia, idade, sexo, distribuição geográfica e dieta. Tendo em vista a existência de variação na composição do veneno entre serpentes do gênero Bothrops e a ocorrência da espécie B. pubescens somente na região do Pampa e Uruguai, carecendo de estudos que elucidem a composição de seu veneno, esse trabalho objetivou caracterizar o veneno de B. pubescens através de técnicas eletroforéticas buscando encontrar semelhanças e diferenças em sua composição. Através do gel de poliacrilamida 15% podemos observar bandas entre 100 kDa e 23 kDa, sendo as bandas de 23 kDa proeminentes. Bandas observadas a entre 20 e 26 kDa correspondem possivelmente a presença de metaloproteinases de classe P1, assim como bandas de 50 a 60 kDa indicam metaloproteinases de classe P3. Foi possível também a identificação de outras bandas no gel que sugerem a variabilidade interespécies apresentada entre serpentes do gênero Bothrops. A variação observada no veneno de B. pubescens pode ocorrer devido ao seu habitat restrito a região do Pampa e Uruguai e também ao tipo de dieta adotada. Como perspectivas futuras temos a realização de testes in vitro para avaliação da atividade do veneno e a caracterização do veneno através do sequenciamento do proteoma por espectrometria de massas.

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Publicado

2020-03-03

Como Citar

AVALIAÇÃO DO PERFIL ELETROFORÉTICO DO VENENO DE BOTHROPS PUBESCENS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 10, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/100182. Acesso em: 29 out. 2026.