MODERNIDADE LÍQUIDA NO CONTEXTO DO CINEMA NOIR: UMA ANÁLISE FÍLMICA DE FARGO

  • Cassiano Ireno Battisti
  • Alexandre Rossato Augusti
Rótulo Noir, neonoir, modernidade, líquida, Fargo

Resumo

A proposta deste trabalho é apresentar os primeiros resultados de uma investigação realizada pelos autores, abarcada no projeto de pesquisa intitulado A perspectiva hedonista no cinema: beleza, prazer e outros enfoques em narrativas clássicas e contemporâneas, coordenado pelo autor Prof. Alexandre Rossato Augusti (UNIPAMPA). Têm-se já alguns resultados da pesquisa sobre o filme neonoir Fargo: uma comédia de erros (Fargo, 1996). A proposta do trabalho é estabelecer uma relação dos principais personagens e suas características com o conceito de Modernidade Líquida, proposto por Zygmunt Bauman. Objetiva-se orientar a pesquisa pela perspectiva do cinema noir, aliado ao conceito de Modernidade Líquida. O objeto de estudo é o filme Fargo, que possui escassos estudos científicos, conforme nossa investigação bibliográfica. Por isso, pretende-se abordar essas características da Modernidade Líquida no contexto dos filmes noir e neonoir, visando-se também expandir a compreensão dos filmes do gênero, principalmente em relação ao crime e a violência característicos do noir. A metodologia é amparada pelas propostas de análise fílmica dos autores Francis Vanoye e Anne Goliot-Lété (Ensaio sobre análise fílmica, 2002) e Jacques Aumont e Michel Marie (A análise do filme, 2004). Além disso, utiliza-se a metodologia de Diana Rose, intitulada Análise de imagens em movimento, encontrada na obra Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som (BAUER, Martin W.; GASKELL, George, 2002) e que visa a separação dos elementos visuais e sonoros do audiovisual analisado. A respeito do cinema noir, conduzimo-nos através das obras de Raymond Borde e Etienne Chaumeton (Panorama del cine negro, 1958), Carlos F. Heredero e Antonio Santamarina (El cine negro: maduración y crisis de la escritura clásica, 1996), Alexandre Rossato Augusti (Cinema noir: as marcas da morte e do hedonismo na atualização do gênero, 2013) e Anna Maria Balogh, com seu artigo Noir: o corpo como cifra do erótico emergindo do estético, encontrado no livro organizado por Ignacio Assis Silva (1996), intitulado Corpo e Sentido. Tem-se, ainda, como parte das principais referências, o teórico Zygmunt Bauman, a partir de obras como Modernidade Líquida (2001), Modernidade e Ambivalência (1999) e Cegueira moral: a perda da sensibilidade na modernidade líquida (2013), escrito em colaboração com Leonidas Donskis. A violência em Fargo é representada de modo frio e mecânico, o que se caracteriza como um traço do cinema noir (BORDE; CHAUMETON, 1958) e vai estabelecer relação direta dentro da pesquisa atual com o conceito de Modernidade Líquida, que propõe perceber um mundo em que as relações consumidor-mercadoria impactam nos comportamentos humanos, sugerindo o descarte das pessoas, a efemeridade dos relacionamentos construídos (BAUMAN, 2001). No filme é retratada a história de Jerry Lundegaard (interpretado por William H. Macy), um vendedor de carros ganancioso que contrata dois homens, Carl Showalter (Steve Buscemi) e Gaear Grimsrud (Peter Stormare), para sequestrar sua própria esposa em troca do dinheiro do pai dela, que pagaria o resgate. O plano tem êxito até Carl e Gaear cometerem o primeiro assassinato. Depois disso, a trama vai mostrando as adversidades que os dois sequestradores e o mandante, Jerry Lundegaard, enfrentam até terem seu fim na prisão ou através da morte. Entretanto, o ponto principal da pesquisa não é o êxito do plano ou não, mas sim as atitudes dos personagens que remetem ao universo noir e ao contexto da Modernidade Líquida. Jerry Lundegaard procura satisfazer suas necessidades e desejos. Para conseguir o que quer, ele está disposto a arriscar seus relacionamentos. Não apenas a vida da sua esposa, como suas relações pessoais, envolvendo todos da família, principalmente seu filho e sogro. A lógica do descarte e a falta de compromisso com o outro, observados, são traços da sociedade moderna líquida, segundo Bauman (2001). O filme traz os planos fechados como recurso para ambientar o universo do crime, que remete a essa linguagem da ocultação do crime, que conforme Balogh é tão característico do cinema noir (1996). Os enquadramentos fechados remetem ao aspecto noir do filme, assim como o contraste claro-escuro. São esses alguns elementos que estão sendo verificados para que se operacionalize a análise proposta pelo trabalho.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
IRENO BATTISTI, C.; ROSSATO AUGUSTI, A. MODERNIDADE LÍQUIDA NO CONTEXTO DO CINEMA NOIR: UMA ANÁLISE FÍLMICA DE FARGO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.